Opinião

Cartas ao director

Por um Ministério das Comunidades Portuguesas

 

Em Portugal, desde o início da década de 1980, as políticas da emigração estão acometidas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que através da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas (DGACCP) assegura a coordenação e execução da política de apoio a portugueses no estrangeiro e às comunidades portuguesas. Ainda nessa época, durante o VI Governo Constitucional, dirigido por Francisco de Sá Carneiro, surgiu a Secretaria de Estado das Comunidades, que actuando em princípio por delegação de competências do ministro dos Negócios Estrangeiros tem procurado ao longo dos anos um reforço dos laços entre as comunidades portuguesas e a pátria de origem.

Este esforço e tomada de consciência sobre o papel dos emigrantes portugueses no desenvolvimento do país, tem permitido ao longo das quatro décadas de democracia, uma clara revalorização e respeito pela presença de emigrantes e lusodescendentes em todo o mundo, mais do que nunca percepcionados como um valioso activo e factor identitário para Portugal.cNesse sentido, e tendo em conta que existem cerca de cinco milhões de portugueses emigrantes e luso-descendentes espalhados no mundo, que correspondem praticamente a metade da população residente em Portugal, o poder político nacional deveria dar passos decisivos tendentes à criação de um Ministério das Comunidades Portuguesas. A criação deste Ministério justifica-se pelo peso no passado, presente e futuro da Diáspora na projecção de Portugal no mundo, e na própria sustentabilidade do país que se encontra na base do equilíbrio entre o quociente da emigração e imigração.

Daniel Bastos

 

Vidas excepcionais

Morreram na semana passada dois homens excepcionais, o português Américo Amorim e o cidadão chinês Li Xiaobo; o primeiro, um self-made-man, criou um grupo empresarial de enorme sucesso, tendo começado a trabalhar de calções e proporcionando, ao longo da sua vida exemplar, trabalho a milhares de portugueses. Um verdadeiro homem do povo e, que saiba, não perfilhava ideias comunistas, antes, acreditava no mérito individual e na liberdade empresarial ao serviço do seu país; o segundo, um académico que acreditava igualmente na liberdade, vivendo num país onde 80 milhões de indivíduos se arrogam o direito de classe — não o direito divino dos monárquicos — para governarem 1300 milhões de cidadãos, aos quais recusam os mais elementares direitos. Este Homem, defendeu os seus ideais sendo privado da sua liberdade e da sua vida, num país comunista que o prendeu pelas suas ideias (não há machado que corte a raiz ao pensamento...) e não aceitou que a sua doença (grave) pudesse ser tratada a tempo, libertando-o apenas quando já não havia qualquer hipótese de cura, as amplas liberdades comunistas são de facto aterradoras.

Ezequiel Neves, Lisboa