Retrato raro das irmãs Brontë pode ser leiloado por 45 mil euros

Adquirido acidentalmente pelo leiloeiro Jonathan Humbert, este será o segundo retrato de grupo conhecido das três irmãs da literatura britânica e terá autoria de Edwin Landseer.

O retrato terá sido pintado por Edwin Landseer
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O retrato terá sido pintado por Edwin Landseer JP Humbert Auctions

Até agora, o único retrato de grupo conhecido de Anne, Emily e Charlotte Brontë era uma tela pintada pelo seu irmão Patrick Branwell Brontë por volta de 1834 que se encontra na National Portrait Gallery, em Londres. Mas à obra que mostra as três irmãs separadas ao centro por um pilar – onde se vê a sombra de uma figura masculina, possivelmente um auto-retrato com que Patrick não ficou satisfeito – junta-se agora uma pintura descoberta recentemente que será da autoria de Edwin Landseer, reconhecido artista da era vitoriana. A obra terá sido adquirida à troca pelo leiloeiro Jonathan Humbert quando o quadro que queria comprar não foi encontrado e aceitou a tela sem saber do que se tratava. De acordo com a BBC, Humbert retirou o quadro do circuito de leilão em 2012 por achar que teria “relevância nacional” e que mereceria uma investigação mais profunda.

Agora, num novo leilão a decorrer até domingo, exclusivamente on-line, a JP Humbert espera arrecadar entre 35 a 40 mil libras (cerca de 45 mil euros). Mas, e apesar de cruzar a História da literatura e da arte britânica, a obra não tem recebido ofertas significativas. Até ao momento, o valor de oferta mais alto é 10.050 libras (cerca de 11.500 euros). O leilão da aguarela decorre até domingo exclusivamente online.

O retrato que Humbert tornou público é atribuído a Edwin Landseer, notável artista do século XIX e favorito da Rainha Vitória, já que a composição a aguarela é típica daquele período. A tela exibe uma jóia que se sabe ter pertencido à família Brontë e que está actualmente em exposição no Brontë Parsonage Museum, em Haworth, West Yorkshire. “Surgiram novas provas interessantes que mostram que a pulseira preta envergada por Anne Brontë na pintura pertence à colecção do Brontë Parnage Museum”, explicou Jonathan Humbert à BBC. O leiloeiro sublinha que “esta ligação a um conhecido objecto de museu sustenta outros factos bem documentados de que este quadro é uma ponte entre os mundos da arte e da literatura e é de facto uma pintura de relevância nacional.”

Jonathan Humbert diz que a pintura tem outros dois traços reveladores da presença das irmãs Brontë: um sofá feito de pêlo de cavalo com umas costas curvadas – actualmente no museu – e a singularidade da parede, que não está decorada com papel de parede mas manchada com um matiz cinza claro. O especialista na obra de Edward Landseer, Richard Ormond, concluiu que a recente descoberta está “indubitavelmente ligada” a um desenho em tons pastel feito pelo pintor dois anos antes do famoso retrato que se pensava ser das irmãs Brontë e que está nos arquivos da National Portrait Gallery. Landseer e as irmãs Brontë terão cruzado caminhos na década de 1830, quando o artista visitou a área em que residiam.

Segundo o Artnet News, a aguarela apresentará ainda o desbotado monograma “EL” “debaixo da lavagem da nuca no pescoço de Anne e uma inscrição feita a lápis que diz ‘Land*eer’ na parte inferior do quadro”. Edwin Landseer ficou conhecido pela fidelidade e pelo detalhe com que retratava a anatomia dos animais. A sua obra mais famosa é o conjunto de esculturas de leões em bronze que pontilha a Trafalgar Square, em Londres. A base de dados do site refere que 700 obras de Landseer já terão sido leiloadas, tendo três dos seus trabalhos sido arrematados por mais de um milhão de dólares (cerca de 876 mil euros). O recorde foi atingido pelo óleo Scene in Chillingham Park: Portrait of Lord Ossulton, leiloado pela Christie’s em Fevereiro de 2003 como parte da colecção de arte vitoriana da Forbes.