Leoa adopta cria de leopardo na Tanzânia

Os conservacionistas pensam que este episódio possa estar relacionado com o facto de a leoa ter perdido as suas próprias crias.

Nosikitok é o nome da leoa de cinco anos que foi vista a amamentar uma cria de leopardo, naquela que é considerada a Arca de Noé da África Oriental — Ngorongoro, na Tanzânia. As imagens foram capturadas por um visitante desta área de conservação, noticiou o jornal britânico The Guardian.

A evolução de Nosikitok tem sido acompanhada pelos conservacionistas e foram eles que souberam que a leoa engravidou e teve a sua própria ninhada no final de Junho. As razões da amamentação da cria leopardo ainda não são conhecidas.

“Ela está fisiologicamente preparada para cuidar de crias felinas e o leopardo cumpre os requisitos — é quase exactamente da mesma idade que as suas crias e fisicamente muito semelhante”, afirma Luke Hunter, o presidente da Panthera, uma organização exclusivamente dedicada à conservação de 40 espécies de felinos e dos seus ecossistemas.  

Foi a primeira vez que se observou uma cria de leopardo a ser amamentada por uma leoa. Por isso, Luke Hunter diz que “é verdadeiramente um caso único”, ao mesmo tempo que adianta a possibilidade de a leoa ter perdido as suas crias e de ter encontrado a cria de leopardo quando estava "num estado particularmente vulnerável".

No entanto, o futuro da cria é incerto. Por um lado, o líder da Panthera salienta a fraca probabilidade da alcateia aceitar o leopardo: "os leões têm relações muito fortes e complicadas, nas quais reconhecem os indivíduos — pela visão e pelos rugidos — e, por isso, estão muito bem equipados para distinguir as crias dos outros. Se o resto da alcateia encontrar o leopardo, é provável que ele seja morto ".

Mas, por outro lado, caso o pequeno leopardo consiga chegar aos 12-18 meses, a sua sobrevivência torna-se possível. Luke Hunter explica no site da sua organização que, se a cria atingir a idade adulta, há a hipótese de vir a desenvolver o comportamento de leopardo porque "a sua exposição precoce à sociedade do leão não ultrapassaria os milhões de anos de evolução que equipou o leopardo para ser um caçador solitário supremo”.

A maior ameaça para estas espécies continua a sua caça ilegal — estes felinos representam, muitas vezes, uma ameaça para o gado das comunidades locais. Nosikitok é um dos vários animais que está a ser monitorizado pelo Korongoro People’s Lion Initiative (Kope Lion), a ONG que salvou 26 leões em 2016, incluindo de alguns membros da alcateia Masek, aquela à qual esta leoa pertence. Avisar as comunidades da zona de Ngorongoro da proximidade das alcateias, reforçar a protecção do gado e tratar dos animais feridos têm sido outras das acções levadas a cabo pela organização que visa promover a coexistência pacíficia entre pastores e leões.

Texto editado por Ana Fernandes