CGD instala pinos à porta da agência para sem-abrigo não “incomodar” clientes

Bloco de Esquerda exige a retirada dos pinos de metal e acusa a Caixa Geral de Depósitos de Vale de Cambra de discriminação social.

BE diz que se trata de uma "atitude anti solidária e violenta"
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BE diz que se trata de uma "atitude anti solidária e violenta" Margarida Basto

A coordenação distrital de Aveiro do BE acusou nesta quinta-feira a Caixa Geral de Depósitos (CGD) de instalar no exterior da sua agência de Vale de Cambra "picos anti sem-abrigo", numa medida que diz ser reveladora de discriminação social. "Aquele local sempre foi usado para algumas pessoas se sentarem e só depois de um sem-abrigo começar a sentar-se lá é que colocaram os pinos", refere o partido, em comunicado.

Em causa estão faixas de metal, das quais se elevam vários cilindros com cerca de 10 centímetros de altura, todos espaçados entre si e rematados por extremidades pontiagudas. A colocação destes picos "é reveladora de um total desprezo e falta de solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas da nossa sociedade", defende a distrital do BE, que exige a "rápida retirada desse instrumento de tortura social" das instalações da CGD.

A Caixa Geral de Depósitos enviou um comunicado em que se escreve que a instituição "fez estas obras de modo a proteger os seus clientes que têm o direito de frequentar a agência sem serem incomodados por actos de atentado ao pudor praticados por uma pessoa que passou a fazer da montra da agência o seu local de vida, com tudo o que decorre, em termos de higiene do espaço público, de uma situação destas".

O BE afirma que a agência de Vale de Cambra está a "copiar o que os especuladores imobiliários andaram a fazer em Londres" e reflecte assim uma postura de "discriminação social que é impensável numa sociedade que se diz moderna e democrática".

Para o BE, "a colocação destes picos anti sem-abrigo é reveladora de um total desprezo e falta de solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas" da sociedade portuguesa - vítimas, aliás, "de um modelo social falhado e de uma crise provocada em grande medida pela própria banca". O comunicado acrescenta que "esta atitude anti solidária e violenta" é agravada pelo facto de ser protagonizada por uma instituição cujo sector de actividade "tem beneficiado de resgates sucessivos por parte dos portugueses, incluindo dos mais pobres". 

Caixa participou situação à câmara

A CGD argumenta, ainda, que no início do ano fez uma "participação para o serviço de Assistência Social da Câmara Municipal de Vale de Cambra", mas que as autoridades competentes não resolveram a situação. O documento enviado ao PÚBLICO adianta que "a Caixa fez, em Maio, uma participação formal de denúncia de atentado ao pudor à GNR".

"Nós queremos é que as autoridades públicas tratem desse assunto e não que a Caixa tenha de pôr remendos para conseguir trabalhar", reforça fonte oficial da CGD.