Rio diz que PSD “está pior” mas recusa falar de liderança até às autárquicas

Ex-autarca rejeita confirmar se é candidato a líder do partido em 2018.

Adriano Miranda
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Adriano Miranda

O ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, afirmou que “o PSD está pior” desde Novembro de 2016, quando se mostrou disponível para avançar como candidato à liderança do partido.

A afirmação foi curta e foi dada em resposta a uma pergunta num almoço-conferência do Internacional Club of Portugal, em Lisboa. Suscitou a curiosidade dos jornalistas mas Rui Rio não quis justificar a afirmação e assegurou que até o dia das eleições autárquicas, a 1 de Outubro, não lhe ouvirão nem mais uma palavra sobre o assunto.

Um dos participantes do almoço-conferência, sobre os novos desafios políticos e económicos, perguntou qual o diagnóstico do partido que o antigo dirigente fazia desde que, em Novembro de 2016, numa entrevista ao DN, se mostrou interessado em disputar a liderança do PSD no próximo congresso e que essa decisão dependia do estado de aceitação do PSD.

“Em Novembro disse que a minha decisão teria a ver com o diagnóstico e o estado do meu partido e por outro lado o estado do país. Pergunta-me o estado do meu partido: Acho que está pior”, afirmou, sem acrescentar mais nada.

No final da iniciativa, aos jornalistas, Rui Rio optou também por não acrescentar mais nada – “não quero dizer mais do que isto” – um silêncio que vai durar até às autárquicas.

“Nunca é antes de dia 1 de Outubro”, afirmou, perante as insistências dos jornalistas. “As eleições autárquicas são particularmente difíceis principalmente nos grandes centros urbanos”, disse, argumentando que quer “ajudar e não prejudicar” o partido neste momento eleitoral. Rui Rio tem sido convidado e tem aceite fazer apresentações de candidaturas autárquicas por todo o país. 

Numa conferência em que dedicou boa parte às questões económicas, Rui Rio falou sobre o sistema político e foi também questionado sobre as primárias. Rui Rio opõe-se a que seja estabelecida de forma permanente para a eleição do líder e um partido ou candidato a primeiro-ministro, mas abre a possibilidade de ser um modelo excepcional. “Acho que se poderia evoluir para essa abertura com caracter excepcional”, defendeu, acrescentando que, como exemplo, “as próximas duas são abertas”, ou “de 12 em 12 anos é aberta”. “É bom que o sistema partidário respire”, rematou, apesar de que, por regra, “os sócios do Benfica votam no Benfica e não no Porto, quem é militante do PS vota no PS”.

Na sua exposição, de cerca de meia hora e perante uma sala onde estiveram sobretudo empresários, o antigo vice-presidente do PSD (na era de Ferreira Leite) voltou a defender que é necessário “reformar o sistema político, através de pequenas e medias reformas”. E definiu como uma das regras a governabilidade. “Tudo o que se fizer tem de se visar o prestigiar da política. O estar na política é mais cadastro do que currículo”, afirmou o ex-autarca e actual quadro da multinacional de recursos humanos Boyden.

Numa outra pergunta de um dos participantes, Rui Rio foi questionado sobre se estaria disponível para avançar para a liderança do PSD. E respondeu como se a pergunta fosse se estava “preparado”. “Não posso ser eu a responder têm de ser as pessoas a avaliar isso”, disse, gerando alguns risos na sala e palmas.

No almoço-conferência estiveram ex-ministros do PSD como Eduardo Catroga, Ângelo Correia, Mira Amaral e Rui Gomes da Silva bem como o deputado Feliciano Barreiras Duarte, o ex-deputado André Pardal que faz parte do movimento Portugal Pode Esperar liderado por Pedro Rodrigues. À entrada para a iniciativa, o ex-ministro de Pedro Santana Lopes Rui Gomes da Silva, que tem estado afastado da vida política, também foi prudente na apreciação do estado do partido, embora seja crítico da forma como se fizeram eleições para a distrital de Lisboa do PSD ao não se ter convocado eleições para a concelhia da capital. “Preocupa-se que o PSD não suba nas sondagens”, afirmou aos jornalistas, dizendo no entanto que não é uma questão de liderança.