Nintendo reforça stock global da consola Switch

Em Portugal, os retalhistas vão começar a receber unidades adicionais esta semana.

No Japão, a Nintendo já pediu desculpa aos clientes
Foto
No Japão, a Nintendo já pediu desculpa aos clientes REUTERS/TORU HANAI

A Nintendo vai reforçar a produção global da consola híbrida, a Switch. Em Portugal, os retalhistas vão começar a receber unidades adicionais esta semana, informou a empresa nesta quarta-feira.

Embora o caso português não seja extremo, em alguns países há clientes em fila de espera desde a época de pré-venda. A procura da consola superou as previsões da empresa que tem tido dificuldade em enviar o número de unidades suficientes para retalhado desde o lançamento em Março.

Nos Estados Unidos, as lojas Amazon e Walmart começaram a anunciar um défice no número de consolas antes do lançamento oficial. Já no Japão (onde os retalhistas começaram a sortear as poucas consolas que chegam aos clientes em fila de espera) a situação motivou mesmo a empresa a emitir um pedido oficial de desculpa pelo erro nas estimativas de vendas.

O erro ronda os 31%. Segundo a Nintendo Portugal, o objectivo era enviar dois milhões de unidades até ao final de Março, mas foram enviadas 2,74 milhões.

“Pedimos as mais sinceras desculpas aos nossos clientes e comerciantes pelo inconveniente”, lê-se no comunicado da empresa emitido a 22 de Junho “Vamos continuar a trabalhar para garantir que a maior quantidade de produtos possíveis possa ser entregue aos nossos clientes até ao final do ano.”

Em Portugal a Nintendo tem conseguido responder à procura. Os retalhistas continuam a enviar pedidos para consolas Switch todas as semanas, mas segundo declarações da Nintendo Portugal ao PÚBLICO, apesar de existirem alguns clientes com dificuldade em encontrar a consola em loja (tendo de ficar em fila de espera), o tempo de espera não é anormal. A Nintendo disse não ter números específicos para o mercado português.

Não é a primeira vez que a empresa se engana nas previsões de vendas. Em Novembro, as novas versões da primeira consola mini da Nintendo – a NES Classic – esgotaram rapidamente, e a empresa manteve a dificuldade em disponibilizar as consolas até cancelar o modelo. Os críticos acusam a Nintendo de enviar propositadamente menos unidades para retalho para aumentar a “febre” em torno dos seus produtos.

“Isso não faz sentido nenhum. Não queremos o cliente insatisfeito”, diz o responsável pelas relações públicas da Nintendo Portugal, Jorge Vieira. Justifica a diferença entre os valores reais e esperados no “factor novidade”.

Para produtos como a Nintendo Switch, demora-se algum tempo a encomendar componentes e a realizar a produção, pelo que as estimativas de venda são feitas muito antes da data de lançamento. “Tanto a Switch como a NES mini são produtos novos no mercado. São modelos disruptivos, em que não há histórico sobre a sua receptividade”, explica Vieira.

No final de Maio, o Wall Street Journal revelou que vários profissionais da indústria apontavam a Apple como uma das culpadas pela falta de stock da Nintendo. A empresa norte-americana estaria a utilizar as mesmas componentes que a Nintendo precisava para os seus produtos, nos novos modelos de iPhone. Vieira diz que não é um problema específico com a Apple. “A Nintendo compete com várias empresas pelas mesmas componentes. É uma situação regular de mercado.”

O objectivo do mais recente reforço é regularizar a diferença entre a oferta e a procura a tempo da época de Natal, em que a Nintendo espera um aumento do interesse nas consolas.