Protesto de oficiais: "Sabe quantos é que íamos a Belém? Três"

Revelação é de Tinoco de Faria, organizador do protesto de oficiais contra a exoneração de cinco comandantes na sequência do furto em Tancos que nunca chegou a acontecer.

Enric Vives-Rubio
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Enric Vives-Rubio

Na semana passada foi convocado, e depois desconvocado, um protesto de oficiais contrários à exoneração temporária de cinco comandantes para não interferirem na investigação que está em curso na sequência do furto de armamento de guerra em Tancos. A acção foi organizada por Pedro Tinoco de Faria, tenente-coronel dos Comandos, que na noite desta segunda-feira revelou na SIC Notícias o número de elementos que iriam deslocar-se ao Palácio de Belém: três.

Os oficiais do Exército foram convocados por e-mail para um protesto, na quarta-feira passada, junto ao Monumento aos Mortos, em Belém, Lisboa. Dali, os oficiais seguiriam em marcha silenciosa, fardados, até à residência oficial do Presidente da República, comandante supremo das Forças Armadas por inerência de funções, onde deveriam depositar as suas espadas, num acto simbólico de protesto.

No entanto, no dia seguinte o protesto foi desmarcado. Na SIC Notícias, o organizador, Tinoco de Faria, afirmou que a decisão foi tomada “por respeito ao Presidente da República que está a dar um exemplo ao país” de “amor” e “proximidade”. Mas pouco depois revelou: “Sabe quantos é que íamos à Presidência da República? Três”. Mas “uma borboleta pode mover o mundo”, referiu o tenente-coronel, explicando ainda que recebeu "para cima de três mil emails" de militares e civis a prestar apoio.

Intitulado de “movimento das espadas”, esta acção de protesto que nunca chegou a acontecer, já deu origem a outro movimento chamado “Portugal, o que queremos?”. O objectivo desta iniciativa é ser um “observatório de ética e moral para o nosso país” e “tirar os políticos podres que estão no nosso sistema”, explicou Tinoco de Faria.

Sobre os responsáveis exonerados, diz que estes foram "humilhados em público".