PSD expressa “enorme estranheza” pelo timing das demissões

Carlos Abreu Amorim exige conhecer as razões para os pedidos de exoneração de funções dos secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, Internacionalização e Indústria.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

O deputado social democrata Carlos Abreu Amorim veio esta noite, em nome do partido, numa conferência de imprensa no Porto, expressar uma “enorme estranheza pelo momento político em que as demissões destes secretários de Estado são conhecidas”. O parlamentar reagia assim ao anúncio dos pedidos de exoneração, já aceites pelo primeiro-ministro António Costa, dos secretários de Estado dos Assuntos Fiscais, da Internacionalização e da Indústria, Fernando Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira.

Abreu Amorim exige saber “o que é que se alterou” desde o Verão de 2016, quando rebentou o caso Galpgate, em torno da oferta de viagens da Galp a jogos do Campeonato Europeu de Futebol, em França, a membros do Governo socialista. “Na altura o Governo elaborou um código de conduta e diz que ficou tudo resolvido. (…) Pelos vistos não está nada resolvido”, disse o deputado do PSD, questionado ainda se o código está a ser implementado.

“O que é que aconteceu?”, interrogou, afirmando que “o país tem o direito a saber porquê”.

“Não sabemos se foi algum focus group ou alguma técnica de marketing político que aconselhou este momento”, ironizou, afirmando que a informação veiculada este domingo num comunicado do Governo “é uma informação parcial, que não esclarece e que até levanta mais dúvidas”.

Os três secretários pediram este domingo a exoneração de funções após terem solicitado ao Ministério Público a sua constituição como arguidos no inquérito relativo às viagens para assistir a jogos do Euro 2016. O primeiro-ministro aceitou a sua demissão, "apesar de não ter sido deduzida pelo Ministério Público qualquer acusação", segundo se lê num comunicado do gabinete de Costa.

A decisão, justificada com a intenção de não prejudicar o Governo, é tomada num momento em que o caso Galpgate já tem arguidos, antecipando os governantes que poderão vir a ficar na mesma situação de ter de responder perante a justiça. Ao que o PÚBLICO apurou, os chefes de gabinete destes governantes foram constituídos arguidos pelo mesmo motivo, o que levou os secretários de Estado a presumir que em breve lhes acontecerá o mesmo.