Seca em quase 80% de Portugal. Governo activa plano de contingência

"É preciso tomar medidas de contenção de consumos", diz secretário de Estado do Ambiente. Alguns concelhos do Alentejo e da Beira Interior podem chegar a Agosto sem água.

em Junho, 72,3% do país encontrava-se em seca severa, enquanto em 7,3% do território se registava seca extrema
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em Junho, 72,3% do pa��s encontrava-se em seca severa, enquanto em 7,3% do território se registava seca extrema Enric Vives-Rubio

Cerca de 80% de Portugal continental encontrava-se em Junho em situação de seca severa e extrema, revela o boletim climatológico divulgado na quinta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). A entidade caracterizou aquele mês como “extremamente quente e muito seco”.

Esta situação vai levar o Governo a activar de imediato a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Efeitos da Seca, criada há cerca de um mês, e a avançar com um plano de contingência.

"É preciso tomar medidas de contenção de consumos, criar regras e sobretudo alertar para a situação gravíssima que estamos a viver", afirmou Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, em declarações à rádio TSF. Carlos Martins, alertou para alguns concelhos do Alentejo e da Beira Interior, onde as populações podem chegar a Agosto sem água.

O secretário de Estado admitiu também que “há motivos de preocupação”, principalmente na Bacia do rio Sado, caso que considera já “muito preocupante”.

Números do Sistema Nacional de Informação mostram que a água existente nas dez albufeiras do Sado fica abaixo 40% ou até nos 20% do seu limite de armazenamento. Dezoito das 60 barragens do país entraram no Verão com menos de metade da água que conseguem armazenar.

Para Carlos Martins, a solução passa por uma reunião com os agricultores dos municípios afectados, que deverá acontecer já na próxima semana.

De acordo com o índice meteorológico de seca revelado pelo IPMA — que tem em conta os dados da quantidade de precipitação, temperatura do ar e capacidade de água disponível no solo —, a 30 de Junho mantinha-se a situação de seca meteorológica em quase todo o território de Portugal continental, verificando-se, em relação a 31 de Maio, um agravamento da intensidade da seca.

Em Abril, a ausência de chuva já dava os primeiros sinais de seca, ainda que sem causar grande impacto na agricultura. No final de Maio, cerca de 70% do território estava na categoria de “seca moderada”. Já em Junho, 72,3% do país encontrava-se em seca severa, enquanto em 7,3% do território se registava seca extrema.

Ainda segundo o IPMA, a Primavera de 2017 foi a terceira mais quente desde 1931, a seguir à de 1977 e 2011.