Crítica Cinema

Os últimos dias do Raj

A independência e a partição da Índia, num pudim anglo-indiano que não passa muito do "museu de cera" histórico com modos de telefilme de luxo.

As cenas mais “objectivas” são o melhor de Adeus, Índia
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As cenas mais “objectivas” são o melhor de Adeus, Índia

Os últimos dias do Raj, acompanhados a partir do momento em que Mountbatten chega à Índia, como último vice-rei, para negociar e preparar a independência. A independência e a partição: o título português, como o seu “adeus”, pode parecer o reflexo de uma perspectiva britânica, mas a verdade é que o filme, realizado por uma indiana (e sendo, em termos de produção, um “pudim” anglo-indiano), não deixa de exprimir um lamento pelo facto de a independência indiana ter significado a divisão do país em dois, a Índia e o Paquistão (ou em três, se contarmos, mais tarde, com o Bangladesh).

Esse lamento cruza a história das personagens indianas no filme, as profundas divisões reflectidas nas histórias — tipo Romeu e Julieta — de gente que em breve se encontrará, quase irremediavelmente, em lados opostos de uma fronteira em que não vê sentido. Em todo o caso, esses apontamentos vivem na sombra da intriga política que toma o primeiro plano da narrativa, com o trabalho diplomático entre britânicos e as facções hindu (Nehru) e muçulmana (Jinna).

Algumas dessas cenas, digamos que as mais “objectivas”, são o mais interessante de um filme que não passa muito do “museu de cera” histórico, com modos de telefilme de luxo, mesmo que os actores façam o possível por dar alguma vida às figuras rígidas que lhes são entregues.