Unidade de contraterrorismo investiga furto de material de guerra em Tancos

Há o receio de que o material roubado de Tancos possa ter como destinatários organizações terroristas. Ministro diz que "assume responsabilidade política".

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Os aliados da NATO já foram notificados do furto. A imprensa inernacional já segue o caso miguel madeira

A Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária vai participar nas investigações ao furto de armas e material bélico dos Paióis Nacionais de Tancos, avança o Diário de Notícias na edição deste sábado, citando uma “fonte autorizada” da direcção nacional da polícia. O Governo não confirma.

A unidade responsável pelo crime organizado e terrorismo deverá trabalhar em conjunto com a Polícia Judiciária Militar. A escolha da unidade de antiterrorismo é justificada pelo receio de que o material furtado de Tancos possa ter como destinatários organizações terroristas.

Já neste sábado, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, disse, citado pela Lusa, que assume a "responsabilidade política" após o furto de material de guerra pelo "simples facto de estar em funções".

Na véspera, Azeredo Lopes tentou desdramatizar as considerações do tenente-coronel, João Paulo Alvelos, do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo que, à SIC, afirmou que o país estaria perante a “maior quebra de segurança deste século em toda a União Europeia”. "Não, não é”, afirmou o ministro em entrevista ao Jornal da Noite, da SIC. "Há quebras e falhas de segurança muito superiores. (...) Nem é preciso evocar os trágicos acontecimentos que têm varrido o continente".

O Exército diz já ter apurado as quantidades exactas de armas furtadas, mas não revelou esta informação para não prejudicar as investigações. Segundo diversos meios de comunicação, entre o material que desapareceu estão 44 lança-rockets, 44 lança-granadas, quatro engenhos explosivos, 120 granadas ofensivas, 1500 munições de 9 mm e ainda equipamento para construir armadilhas explosivas.

Os aliados da NATO já foram notificados do furto, bem como os serviços de informação estrangeiros. A SIC noticiava na sexta-feira que a embaixada norte-americana em Lisboa aumentou o nível de alerta, que deverá permanecer até 4 de Julho, o Dia da Independência dos EUA.

Alguma imprensa internacional também deu atenção ao caso. O site de notícias El Español fala, por exemplo, em “alerta terrorista na Europa” por causa do furto de material de guerra em Portugal.