Sindicato diz que greve dos técnicos de diagnóstico está a ser "avassaladora"

Segundo o presidente do STSS, a adesão no primeiro dia rondou os 80%. Ministério diz que assunto será debatido na segunda-feira em reunião de secretários de Estado..

Técnicos dizem que a carreira está desactualizada há quase 18 anos (na foto, protesto em 2016, em Lisboa)
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Técnicos dizem que a carreira está desactualizada há quase 18 anos (na foto, protesto em 2016, em Lisboa) Fabio Augusto

A greve dos técnicos superiores de saúde das áreas de diagnóstico e terapêutica, que arrancou nesta quinta-feira por tempo indeterminado, está a ter “efeitos avassaladores”, segundo o Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS).

Os sindicatos (além do STSS, há mais duas estruturas sindicais em protesto) reivindicam a aprovação imediata do diploma que cria a carreira destes profissionais de saúde. Segundo o presidente do STSS, Almerindo Rego, a adesão à greve neste primeiro dia é “superior a 80%” e os sectores mais afectados são as análises clínicas, a radiologia, a farmácia e a cardiopneumologia.

A secretária-geral do Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (Sindite), Dina Carvalho, prefere não avançar dados concretos, alegando que “os serviços mínimos são muito abrangentes”, enquanto o Ministério da Saúde se escusa a comentar números e lembra que esta matéria vai ser discutida em conselho de secretários de Estado da próxima segunda-feira.

Foi, frisa Dina Carvalho, “o recuo nas negociações transmitido na última reunião pelos representantes do Ministério da Saúde” que fez com que a greve fosse inevitável, por não terem sido dadas “garantias de cumprimento dos acordos já assinados”.

Os sindicatos exigem o cumprimento dos acordos celebrados com o Ministério da Saúde a 12 de Dezembro de 2016 e a 18 deste ano, que determinavam a aprovação e publicação, em Junho, dos diplomas para a criação da carreira especial de técnico superior das áreas de diagnóstico e terapêutica e da carreira de técnico superior das áreas de diagnóstico e terapêutica dos estabelecimentos E.P.E. (Entidades Públicas Empresariais).

Os dirigentes dos dois sindicatos alegam que o conflito foi gerado pelo Ministério das Finanças. “O secretário de Estado do Orçamento levantou problemas, queria saber o impacto desta medida que, para já, não tem impacto financeiro nenhum”, lamenta Dina Carvalho.

Os técnicos de diagnóstico e terapêutica já tinham realizado uma greve a 21 de Junho, convocada apenas pelo STTS, e uma concentração em frente ao Ministério da Saúde, queixando-se de que a carreira está desactualizada há quase duas décadas, Nesse dia, o ministro Adalberto Campos Fernandes disse, na Comissão parlamentar da Saúde, compreender os motivos dos profissionais e mostrou-se confiante que em breve a questão seria desbloqueada.

Em causda estão mais de 20 profissões, três delas por regulamentar, em áreas como análises clínicas, radiologia, fisioterapia, farmácia ou cardiopneumologia, num total de cerca de dez mil profissionais.

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