Incêndio em Londres: número final de mortos não será conhecido “este ano”

Familiares das vítimas estão a ser preparados para a eventualidade dos restos mortais nunca virem a ser recuperados. Em Westminster, a tragédia de Grenfell marcou o debate entre May e Corbyn.

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Reuters/Neil Hall

A polícia britânica admite que o balanço final das vítimas do incêndio da Torre Grenfell, a 14 de Junho, em Londres, não será conhecido tão cedo.

“O que podemos dizer é que acreditamos que cerca de 80 pessoas estão mortas ou infelizmente desaparecidas, e que por isso presumo que estejam mortas”, declarou a superintendente Fiona McCormack, citada pela BBC.

Num ponto de situação feito esta quarta-feira, a responsável afirmou que os agentes estão a preparar os familiares de algumas vítimas para a possibilidade dos seus restos mortais poderem nunca vir a ser recuperados, dado o grau de destruição do prédio de habitação.

No entanto, McCormack afirmou que as autoridades querem que “o verdadeiro custo humano desta tragédia seja conhecido”.

“Não quero que haja vítimas escondidas”, declarou.

Aos jornalistas, McCormack indiciou que a vasta maioria das vítimas mortais estavam em 23 dos 129 apartamentos do prédio, sendo que um conjunto de pessoas acabou por morrer num único apartamento num dos últimos andares da torre, após terem tentado escapar, em vão, das chamas nos andares inferiores.

O incêndio, indicou, destruiu 151 habitações – para além da Torre Grenfell, o sinistro também acabou por danificar residências noutros edifícios em redor.

Tragédia de Londres marcou debate em Westminster

Também nesta quarta-feira, o debate parlamentar em Westminster ficou marcado pelo incêndio de 14 de Junho, com a primeira-ministra britânica Teresa May a dizer que 120 prédios de habitação social chumbaram os testes de segurança realizados após a tragédia de Grenfell. Em causa, tal como no prédio da zona oeste de Londres, estava o revestimento utilizado, considerado inflamável. May disse ainda que o material não cumpria as regras de segurança.

“Como podemos ver pelo número de edifícios em que o revestimento chumbou o teste de combustibilidade, isto é um problema muito mais vasto. (…) É um problema que dura há muitos anos, há décadas”, declarou May, diluindo a responsabilidade por vários governos, incluindo o do ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair.

O actual líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, que foi crítico de Blair, ripostou, culpando os conservadores por sucessivos cortes no financiamento das autarquias britânicas.

“Quando se corta o orçamento dos governos locais em 40%, ficamos com menos inspectores de edifícios. Todos pagamos o preço em termos de segurança pública”, afirmou.

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