Crónica de jogo

Resta o prémio de consolação

Selecção portuguesa superada pelo Chile na meia-final da Taça das Confederações, num encontro em que o 0-0 resistiu durante 120 minutos e só foi desfeito nos penáltis. Antes de regressar, a equipa nacional vai jogar para o terceiro lugar

Portugal falhou a ida à final da Taça das Confederações
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Portugal falhou a ida à final da Taça das Confederações Reuters/MAXIM SHEMETOV

Num jogo que só foi decidido no desempate por penáltis, Portugal não acertou qualquer das tentativas e falhou a presença na final da Taça das Confederações. Num duelo com o Chile em que a selecção portuguesa chegou a prometer nos minutos iniciais, mas em que foi perdendo qualidade e o controlo da partida, a equipa de Fernando Santos deixou escapar a oportunidade de conquistar um troféu para juntar ao título de campeã europeia. O cansaço acumulado de uma longa época fez-se notar e a incapacidade para construir jogadas de perigo ditou a derrota – resta lutar pelo prémio de consolação, o jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares, no domingo, antes da final.

O guarda-redes chileno foi o protagonista do desempate por grandes penalidades. Claudio Bravo adivinhou a direcção e travou os remates de Ricardo Quaresma, João Moutinho e Nani, enquanto os seus companheiros de selecção não deram hipótese a Rui Patrício: Arturo Vidal, Charles Aránguiz e Alexis Sánchez fizeram o 0-3 que permite ao Chile, bicampeão sul-americano (cujos dois troféus da Copa América foram conquistados nos penáltis), marcar presença na final da Taça das Confederações na primeira participação na prova. O adversário sairá do embate desta quinta-feira à tarde entre Alemanha e México (19h, RTP1).

A etapa inicial do jogo foi prometedora. Bernardo Silva, que estava em dúvida, entrou no “onze” escolhido por Fernando Santos e logo aos dois minutos mostrou porque mereceu a confiança do técnico: passou por dois adversários e entregou a bola a André Gomes, que à entrada da área rematou fraco, fácil para Claudio Bravo. O guarda-redes chileno brilhou cinco minutos depois, a travar um pontapé de André Silva. Foram estes dois os remates que saíram enquadrados com a baliza chilena na primeira parte, com Portugal a ficar “em branco” nos 45 minutos iniciais pela primeira vez desde a derrota na Suíça em Setembro de 2016 – nos dez jogos disputados desde então a equipa nacional tinha marcado 18 golos no mesmo período.

Não que Rui Patrício tenha tido muito mais trabalho. Foi colocado à prova aos seis minutos, correspondendo com uma excelente intervenção a contrariar o remate de Vargas (que partira de posição ligeiramente adiantada). Aos 30’ viu Aránguiz, sem oposição, desperdiçar uma boa situação, após desvio de Arturo Vidal, com um péssimo remate directamente para fora.

O jogo tinha tudo para melhorar no segundo tempo. Mas, nesse período, Portugal deixou-se dominar pelo Chile e as oportunidades de perigo começaram a suceder-se perto da baliza de Rui Patrício. Vidal cabeceou ligeiramente por cima e Vargas rematou “de bicicleta” para grande defesa do guardião português. Os raros sinais de vida da selecção nacional surgiam inevitavelmente por intermédio de Cristiano Ronaldo, que aos 58’ obrigou Bravo a uma boa defesa, enquanto, de livre, o capitão português fez a bola passar por cima (65’).

Mas à medida que os minutos passavam acentuava-se a impressão que a equipa portuguesa esperava pelo prolongamento. Talvez a experiência recente o justificasse: três dos sete jogos disputados por Portugal no percurso para a conquista do Euro 2016 foram resolvidos depois do tempo regulamentar (Polónia nos penáltis, Croácia e a final contra a França no prolongamento).

As estrelas pareciam estar todas alinhadas, porque nos 30 minutos extra a equipa de Fernando Santos teve a fortuna do seu lado em mais do que uma ocasião. O Chile acentuou a pressão e a partida passou a ter sentido único, até que aos 113’ Francisco Silva foi derrubado na área por José Fonte – o defesa português pisou o chileno, mas o árbitro nada assinalou e o videoárbitro não interveio.

Os jogadores comandados por Juan Antonio Pizzi (que foi treinado por Fernando Santos no FC Porto em 2000-01) não baixaram os braços e aos 119’ fizeram os corações portugueses bater mais forte: Vidal atirou ao poste da baliza de Rui Patrício e, na recarga, Martín Rodríguez acertou na trave.

Parecia estar escrito nas estrelas. Só que não estava. Vidal, Aránguiz e Alexis Sánchez não falharam. Quaresma, Moutinho e Nani não acertaram. Em vez de jogar a final de São Petersburgo, Portugal vai ter de contentar-se em disputar o prémio de consolação: o encontro para atribuir os terceiro e quarto lugares, em Moscovo.