Câmara e provedor dizem que apoio psicológico não é suficiente

Autarquia e Santa Casa dizem que o apoio desmobilizou. Ministro da Saúde promete resposta para todos.

O ministro da Saúde diz que houve mais de 800 atendimentos até ao momento
Foto
O ministro da Saúde diz que houve mais de 800 atendimentos até ao momento Paulo Cunha/LUSA

O apoio psicológico que está a ser dado às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande é “insuficiente”. O alerta é dado tanto pelo presidente da Câmara Municipal daquela região, que diz que no terreno contam apenas com a ajuda técnica dos fuzileiros da Marinha Portuguesa, como pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia, que garante que já pediu ajuda às autoridades de saúde. Do lado da tutela, o ministro da Saúde prometeu que as populações vão ser devidamente acompanhadas, mas reconheceu que são necessários ajustes permanentes nas equipas.

“Neste momento, temos o apoio psicossocial dos fuzileiros que a Câmara Municipal, juntamente com a presidente da Comissão de Coordenação Regional do Centro (CCDRC), Ana Abrunhosa, resolveu pedir. Os fuzileiros da Armada Portuguesa vão ficar até quarta-feira. Mas penso que é capaz de não chegar", afirmou o presidente da câmara de Pedrógão, Valdemar Alves, citado pela Lusa.

O provedor da Santa Casa de Pedrógão Grande salientou ao PÚBLICO que “nos primeiros dias da tragédia, tanto nas aldeias como nos centros de acolhimento houve um trabalho excepcional de apoio psicológico, mas que foi desmobilizando com o passar dos dias”. João Marques adiantou que já fez contactos com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro e com a Segurança Social e recebeu garantias de que “haverá um reforço muito em breve”. Depois de inicialmente ter avançado que uma pessoa se teria suicidado, o provedor já pediu desculpa pelo erro, mas reforçou que têm existido “duas ou três tentativas de suicídio”.

O PÚBLICO contactou o Ministério da Segurança Social para perceber que meios estão no terreno, mas este organismo remeteu para o Instituto Nacional de Emergência Médica, que não respondeu às perguntas. Já o Ministério da Saúde remeteu para a ARS do Centro, que também não respondeu. O bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda, disse ao Expresso que esta ARS tem apenas um psicólogo para das assistência aos utentes de 14 centros de saúde.

Contudo, nesta segunda-feira, à margem da apresentação do futuro Hospital de Proximidade de Sintra, o ministro da Saúde deu garantias que vai ser prestado apoio psicológico às populações afectadas pelos incêndios. Adalberto Campos Fernandes avançou que já tinham sido feitos 840 atendimentos. Segundo o ministro, a ARS do Centro está a rever o que foi feito “para adaptar o dispositivo, porque em cada dia que passa a realidade vai mudando”.

“O incêndio já está extinto, mas há agora um trabalho enorme a fazer, que tem que ser feito, que é apoiar as pessoas no concreto, a visitação das aldeias onde há pessoas que estão com alguma dificuldade de apoio, e portanto vai haver apoio domiciliário, apoio pela saúde pública, pelos cuidados de saúde primários”, frisou. E acrescentou: “Eu diria que o trabalho do ponto de vista da saúde, o trabalho mais importante começa com o fim do sinistro”.