PSD de Cabeceiras apoia lista de ex-socialistas à câmara

Pela primeira vez, sociais-democratas falham candidaturas aos órgãos autárquicos no concelho

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PSD de Cabeceiras de Basto desiste de candiadtura e apoia lista independente liderada por um ex-socialista Nuno Ferreira Santos

Nas eleições autárquicas de Outubro, os eleitores do PSD de Cabeceiras de Basto não vão encontrar nos boletins de voto o símbolo do partido porque desta vez os social-democratas desistiram de apresentar candidaturas próprias, optando por apoiar a lista do ex-socialista Jorge Machado, que foi vice-presidente de Joaquim Barreto, na autarquia de Cabeceiras.

Zangado com Joaquim Barreto por, em 2013, ter escolhido o médico China Pereira para cabeça de lista do PS à presidência do município, Jorge Machado formou o movimento de cidadãos “Independente Por Cabeceiras” e quase ganhou as eleições ao PS, elegendo três vereadores, tantos quanto os socialistas. Já os sociais-democratas ficaram muito atrás, tendo conquistado 12,03% dos votos e eleito um vereador. O modesto resultado alcançado pelo PSD em 2013 contrasta com as largas maiorias que o partido alcança em eleições europeias e legislativas.

A lista liderada por Jorge Machado é composta por ex-socialistas que vão agora contar com o apoio dos social-democratas que, pela primeira vez, prescindem de ter um candidato próprio. Segundo o PÚBLICO apurou, há sectores no PSD de Cabeceiras que discordam desta solução, que estava a ser “trabalhada já há alguém tempo” e que foi aprovada pela concelhia social-democrata. A distrital do PSD de Braga, liderada por José Manuel Fernandes, esteve de acordo, não levantando objecções à solução.

“Jorge Machado foi sempre um adversário do PSD. Era um socialista de cartão e agora o PSD vai apoiá-lo?”, indignava-se um ex-dirigente do partido em conversa com o PÚBLICO, afirmando que a presidente da concelhia do PSD de Cabeceiras de Basto, Laura Magalhães, deveria ter-se disponibilizado para protagonizar uma candidatura em nome do partido.

Ao longo do dia de ontem o PÚBLICO tentou falar por diversas vezes com Laura Magalhães, quer para o seu telemóvel pessoal, quer para a Assembleia da República, onde é deputada, mas sem sucesso. O líder da distrital, José Manuel Fernandes, também se mostrou indisponível para falar, remetendo esclarecimentos para o vice-presidente, João Granja, que até agora manteve-se em silêncio.