As “caixas de aguarelas” dos tapetes de flores de Vila do Conde

Fotogaleria

De quatro em quatro anos, em plena Procissão do Corpo de Deus, as ruas de Vila do Conde enchem-se de tapetes. Mas não são uns tapetes quaisquer — são compostos por flores. Esta tradição centenária arranca semanas antes, quando miúdos e gráudos começam a colher flores e a desfolhá-las. Depois, pétala a pétala, folha a folha, fazem-se tapeçarias com funchos, buchos, granjas e rosas, as principais plantas utilizadas, e desfiam-se histórias, canções, conhecimentos. "Os mais velhos ensinam os mais novos procurando passar a tradição, criam-se novos amigos, conhecem-se melhor os vizinhos, aproximam-se as gentes da cidade", conta Rita Carmo Martins, que fotografou os bastidores deste processo na sua cidade-natal. É que à medida que as flores são colhidas, são colocadas em caixas guardadas em caves, lojas, garagens, igrejas, "locais frescos e secos" de forma a conservar a sua "longevidade". Foi esta "paleta de cores" que a jovem fotografou, as "caixas de aguarelas" que dão cor aos tapetes. Na véspera do Corpo de Deus, é daqui que saem as cores, os desenhos, sem pincéis, só mãos. "Poucos vão à cama, os olhos cansados dos mais velhos supervisionam as mãos mais novas, que outrora foram as suas", conta Rita. No dia seguinte, as rua estarão coloridas, perfumadas e mais unidas.