“Todas as pessoas têm direito a ser o que quiserem”

Vídeos, cartazes nos autocarros de Lisboa, Porto, Braga — e também nos cinemas. Campanha governamental quer combater a discriminação nas comunidades ciganas — e dar às crianças a oportunidade de ser o que quiserem

Todas as crianças podem ser o que quiseremEsta é a "primeira vez que o governo português se associa e promove uma campanha contra a discriminação nas comunidades ciganas", salientou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade em declarações à agência Lusa. E é um momento simbólico.

"Temos consciência de que as comunidades ciganas são as que sofrem mais discriminação em Portugal, entendemos que é preciso a mensagem clara de que independentemente da nossa etnia todas as pessoas têm o direito de ser aquilo que querem, a ter um projecto de vida e um futuro", defendeu Catarina Marcelino.

A campanha, feita em associação com a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN), consiste para já em dois vídeos, disponíveis no Youtube, que mostram várias crianças ciganas a revelarem quais são os seus sonhos para o futuro e que profissão gostavam de ter quando forem adultos. A condução das "entrevistas" é feita por Catarina Furtado num dos vídeos e Francisco George, director-geral da saúde, no outro. De acordo com a secretária de Estado, a mensagem é muito clara: "As crianças ciganas, tal como todas as outras, têm um sonho e têm o direito de tornar esse sonho realidade".

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Catarina Marcelino apontou, por isso, que todas devem ter as mesmas oportunidades para alcançar os seus sonhos, algo que, denunciou, ainda não acontece. "O que acontece, e o que sabemos, é que o facto de se ser pessoa cigana condiciona aquilo que pode ser o seu projecto de vida e aquilo que pode ser a sua realização no futuro e isso não está certo. Nós todos temos direito a ser aquilo que queremos ser porque somos todos portugueses e portuguesas com direitos e deveres iguais", sustentou.

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Estratégia Nacional está a ser desenhada

A secretária de Estado admitiu que não será certamente só com esta campanha que a realidade entre a comunidade cigana, e sobretudo entre as crianças, vai mudar, mas adiantou que a iniciativa insere-se num plano mais vasto e mais global, já que está a ser revista a Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas.

Catarina Marcelino salientou que a área da educação é uma das mais importantes, onde está a ser feito trabalho relativamente ao abandono e absentismo escolar das crianças ciganas ou incentivo de prolongamento dos estudos ao ensino secundário e superior. "Estamos a fazer uma grande aposta nesta área da educação para que estas crianças de facto possam ser o que quiserem e para que esta mensagem desta campanha se torne real e possível", revelou.

Para isso, acrescentou, é também necessário que a sociedade olhe para a comunidade cigana de uma forma integradora e que as comunidades ciganas se aproximem da comunidade maioritária. Os dois vídeos da campanha vão passar nas televisões a 24 de Junho, Dia Nacional das Comunidades Ciganas, o mesmo dia em que a mensagem da campanha está disponível na rede multibanco.

Na próxima semana vai estar nos autocarros de Lisboa, Porto e Braga e também nos cinemas. Além destes formatos, vai haver cartazes preferencialmente disponíveis nas localidades onde há mais comunidades ciganas.