Comboios de passageiros regressam a Elvas e Badajoz

Em Setembro, a CP volta a operar em toda a extensão da linha do Leste com um comboio diário em cada sentido.

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Bruno lisita

O Governo vai cumprir uma resolução aprovada na Assembleia da República em Janeiro de 2016 e que mereceu a concordância de todos os partidos. Trata-se de relançar o serviço de passageiros na linha do Leste, entre o Entroncamento e Badajoz.

A proposta partiu dos Verdes, que desde então pressionaram o Governo para que a resolução fosse posta em prática. "Fizemos da linha do Leste uma bandeira porque era a única de todas linhas encerradas que estava activa porque mantinha transporte de mercadorias, e ainda por cima tinha tido obras de modernização antes de terem encerrado o serviço de passageiros”, disse ao PÚBLICO Manuela Cunha, deputada do partido ecologista. 

Este serviço tinha sido suprimido em finais de 2011 no âmbito do PET (Plano Estratégico dos Transportes) da autoria do então secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro. Na mesma altura foi também encerrada a linha Beja – Funcheira e decretado o óbito das linhas do Tâmega, do Tua e da linha Figueira da Foz–Pampilhosa, que já tinham sido encerradas no Governo de Sócrates embora com a promessa de reabrirem.

Em Setembro de 2015, a poucos dias das eleições que fariam perder a maioria ao Governo anterior, foi reaberto o serviço, mas apenas à sexta-feira e ao domingo e só entre Entroncamento e Portalegre, situação que ainda hoje se mantém.

Manuela Cunha diz que o novo serviço em toda a extensão da linha – que dará ligação aos comboios da Renfe em Badajoz – terá início antes do próximo ano lectivo para poder servir os estudantes que se deslocam para Coimbra, Aveiro ou Porto, que assim poderão poupar algumas horas de viagem porque, de autocarro, é preciso ir de Portalegre ou Elvas para Lisboa e depois apanhar outro para o Centro e Norte.

Tal foi, aliás, comprovado por uma reportagem do PÚBLICO antes de o serviço encerrar, na qual a maioria dos passageiros evidenciava as vantagens de uma mais rápida ligação para esses destinos. Um outro segmento de mercado era o dos estudantes espanhóis em Erasmus provenientes de Extremadura e da Andaluzia que também utilizavam esta linha.

A deputada diz que este é um compromisso pelo qual os Verdes se têm batido e que há agora um acordo firmado com o Governo, que até permitiu que fosse este partido a divulgar a notícia em primeira mão, sobrepondo-se à própria CP que, neste caso, fará o que o Governo (seu único accionista) disser.

Esta será também uma das primeiras medidas da nova administração da CP, que será presidida por Carlos Gomes Nogueira e que deverá tomar posse brevemente. "Esta é a primeira reposição de um serviço ferroviário, é a primeira vez que se volta atrás”, disse a deputada que até já tem um slogan para apresentar às populações do distrito de Portalegre: “Valeu a pena lutar. O comboio vai voltar”.

Os horários ainda não estão disponíveis, mas o percurso poderá agora ser feito em menos 15 minutos do que quando o serviço foi suprimido porque beneficia das obras realizadas na linha. A deputada disse ainda que o autarca de Badajoz manifestou ao Governo português o seu regozijo por esta decisão.

Ciente de que apenas um comboio por dia em cada sentido é pouco, Manuela Cunha diz que isto é apenas o início e que espera no futuro que a CP aumente a oferta nesta linha, reforçando que o modo ferroviário é, apesar de tudo, o mais rápido para ligar o Alto Alentejo ao Centro e Norte de Portugal.

O problema mais grave, porém, é que a transportadora pública quase não tem material circulante Diesel para poder assegurar com fiabilidade o novo serviço. As automotoras que lhe restam – e que também prestam serviço no Algarve, no Oeste e na linha entre Casa Branca e Beja – têm mais de 50 anos e estão em fim de período de vida útil, avariando, por isso, com muita frequência.