Temer: Polícia brasileira aponta provas de corrupção passiva

Parte da investigação ao Presidente do Brasil está concluída. Polícia pede mais cinco dias para apurar suspeitas de organização criminosa e obstrução de justiça.

Reuters/UESLEI MARCELINO
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Reuters/UESLEI MARCELINO

A Polícia Federal (PF) brasileira concluiu que há provas materiais da prática de crime de corrupção passiva pelo Presidente Michel Temer e o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, avançou na noite de segunda-feira (já terça na hora de Lisboa) o jornal O Estado de São Paulo. A imputação consta do inquérito entregue naquele dia pela PF ao Supremo Tribunal Federal em Brasília. A notícia também é dada pelo jornal Folha de São Paulo.

Com esta parte da investigação já concluída, a PF pede agora mais cinco dias para fechar o inquérito no que diz respeito às suspeitas de organização criminosa e de obstrução de justiça.

O Estadão noticia que a conclusão relativa ao crime de corrupção passiva se sustenta em acções de vigilância – numa das quais o ex-assessor de Temer terá sido visto a fugir com uma mala com 500 mil reais – e em gravações feitas por Ricardo Saud, um director do grupo empresarial J&F, o presumível corruptor.

Numa das gravações áudio e vídeo, relativa a um encontro ocorrido a 28 de Abril, Saud é visto e escutado a entregar a dita mala com dinheiro a Loures num restaurante de São Paulo. Nesse encontro, o ex-assessor de Temer remete inicialmente a recolha do dinheiro para outro indivíduo – citado na peça do Estadão como “Edgar” – uma vez que “todos os outros caminhos estavam congestionados”.

Saud pergunta a Loures se se trata do “Edgar que trabalha para o Presidente”. “Bom, se é da confiança do chefe, não tem problema nenhum”, acrescenta.

Apesar deste diálogo, é o próprio Loures que acaba por receber a mala das mãos de Saud, mais tarde, noutro restaurante. Este segundo encontro também foi filmado.

Segundo o Estadão, que cita outros diálogos, haveria um acordo entre Saud e Loures para o pagamento semanal de um milhão de reais a troco de uma campanha de influência sobre a petrolífera estatal brasileira Petrobrás que teria como objectivo a redução do preço do gás fornecido à companhia eléctrica EPE, detida pela J&F. Temer beneficiaria do acordo.

A J&F é uma holding que controla o grupo JBS e pertence a Joesley Batista, o empresário brasileiro que gravou a conversa com Temer na origem da mais recente crise política no país, suscitada pelas suspeitas de corrupção em torno do Presidente.