O futebol prepara uma nova revolução

Jogos com 60 minutos, penáltis sem recarga e cartões amarelos e vermelhos para treinadores e dirigentes são algumas das medidas em estudo pelo International Board.

O futebol estuda mudanças
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O futebol estuda mudanças Reuters/GRIGORY DUKOR

É a primeira frase do n.º 7 das Leis do Futebol: “O jogo compõe-se de duas partes de 45 minutos cada uma.” Mas um jogo de futebol com 90 minutos pode, em breve deixar de existir. O International Football Association Board (IFAB), organismo que define as regras do futebol, está a considerar uma proposta para alterar o tempo de jogo de 90 minutos para 60, mas com paragens do cronómetro quando a bola não está em jogo. Esta é uma das muitas medidas em estudo pelo IFAB numa iniciativa que o organismo intitula de “Fair Play!” e que tem por objectivo de tornar o futebol “mais justo, mais atractivo e mais agradável”.

Depois de ter sido aprovada a utilização do vídeo-árbitro, pode haver aqui uma nova revolução no futebol e o organismo que integra elementos da FIFA e das quatro federações britânicas (Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte) entende que algumas das propostas apresentadas estão, inclusivamente, prontas para serem aplicadas sem que tal implique a mudança nas leis do jogo. Mas não é o caso desta mudança do tempo de jogo.

 “Muita gente fica muito frustrada quando um jogo de 90 minutos tem menos de 60 minutos de jogo jogado”, começa por dizer o IFAB, elencado, depois, as medidas, algumas de aplicação imediata, outras a necessitarem de discussão, que podem contribuir para que o tempo de jogo efectivo seja maior. Entre as que podem ser imediatamente aplicadas, recomenda-se que os árbitros façam uma gestão mais rigorosa do tempo de compensação a atribuir no final de cada parte.

A necessitar de mais estudo e discussão é a tal proposta de introduzir as paragens do cronómetro cada vez que o jogo estivesse parado, como acontece em muitas outras modalidades colectivas. O IFAB aponta dois caminhos, o de isto acontecer nos últimos cinco minutos da primeira parte e nos últimos dez da segunda (“os períodos de jogo em que os jogadores queimam mais tempo”), ou o de reduzir o tempo regulamentar de 90 minutos para 60. “Esta mudança radical significa, não apenas que iria ser inútil os jogadores queimarem tempo, como faria com que todas as equipas da mesma competição tivessem exactamente o mesmo tempo de jogo”, justifica o organismo.

Uma ideia que o IFAB entende estar pronta para ser testada é a possibilidade de mostrar cartões amarelos e vermelhos a treinadores e dirigentes. A necessitar de mais estudo, observa o organismo, é a possibilidade de diminuir o número de substituições que uma equipa pode fazer durante um jogo caso um dos seus suplentes receba um cartão vermelho antes de ter entrado em jogo.

Outra das mudanças mais radicais que o IFAB apresenta para discussão é o que acontece quando um jogador impede, com a mão, que a bola entre na baliza. “O árbitro deve considerar golo se um defesa evitar um golo com a mão, estando em cima (ou perto) da linha de golo”, propõe o IFAB. Ainda em relação a situações de mão na bola, o IFAB sugere que um jogador que marque um golo com a mão de forma deliberada seja expulso, e que nas situações em que o guarda-redes agarre a bola com a mão na sequência de um lançamento de linha lateral ou num passe atrasado deliberado seja assinalado penálti em vez de livre indirecto.

No desempate por penáltis, o IFAB diz que já se pode começar a testar uma ordem diferente. Tendo em conta que “alguns estudos sugerem que a equipa que marca o primeiro penálti tem uma vantagem”, o organismo sugere que se experimente uma ordem semelhante à que existe no “tie break” do ténis. Na questão dos penáltis durante o tempo de jogo, o IFAB sugere que se um penálti não for convertido e a bola ficar no terreno de jogo, não deve haver recargas e deve ser assinalado pontapé de baliza. Esta media, segundo o IFAB, iria esvaziar a necessidade de os jogadores das duas equipas de estarem à entrada da área quando o penálti é marcado.

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