Crónica de jogo

Um Alexis a meio gás e um Vidal a todo o vapor

Chile derrotou os Camarões e assumiu a liderança do Grupo B. Videoárbitro voltou a intervir em dois lances capitais.

Reuters/GRIGORY DUKOR
Foto
Reuters/GRIGORY DUKOR

O intervalo do Camarões-Chile chegou com protestos dos sul-americanos e com Arturo Vidal francamente irritado a caminho dos balneários. A explicação? Instantes antes havia sido anulado um golo a Vargas por decisão do videoárbitro (VAR). A poucos segundos de soar o apito final, o momento de suspense repetiu-se, mas então com uma decisão favorável da equipa de arbitragem. Estava confirmado o 0-2 com que terminou o primeiro jogo do Grupo B da Taça das Confederações.

Ficaram poucas dúvidas no ar sobre a supremacia do Chile em relação ao vencedor da CAN (Taça Africana das Nações). Esse ascendente foi mais evidente durante o primeiro tempo (69% de posse de bola e o dobro dos remates), com o 4-3-3 de Juan Antonio Pizzi a sobrepor-se ao 4-3-3 de Hugo Broos, muito graças a um meio-campo que vive à custa da qualidade de Aranguiz e Vidal.

PÚBLICO -
Foto

A prioridade dos Camarões, que juntavam no corredor central Djoum, Anguissa e Siani no momento da organização defensiva para evitar que a bola chegasse jogável a Vargas, era impedir que Vidal construísse sem pressão. Depois, uma vez recuperada a bola, procurar Aboubakar ao meio ou Moukandjo pelo flanco esquerdo, ligações que raramente funcionaram.

Num dos poucos momentos em que a teia defensiva africana fraquejou, o Chile aproveitou. Vidal, sempre ele, descobriu Vargas com um passe vertical e o avançado do Tigres concluiu com classe, fazendo voar a bola por cima do guarda-redes. E foi aqui que o VAR fez sentir a sua presença, anulando o lance já depois dos festejos, por fora-de-jogo milimétrico do avançado.

O descontentamento dos chilenos com a decisão foi evidente, mas não restava mais do que voltar a tentar no segundo tempo. E a missão tornou-se mais difícil, porque os Camarões começaram a revelar mais critério na construção e a tentar penetrar mais vezes pelo corredor central, especialmente a partir do momento em que Pizzi arriscou e mandou Vidal avançar para a função de segundo avançado — Marcelo Diaz e Francisco Silva serviam de escudeiros do jogador do Bayern.

A diferença, porém, fez-se na área africana. Alexis Sánchez, que não estaria em condições físicas para jogar de início e foi lançado aos 58’, cruzou com precisão para a área e Arturo Vidal, qual ponta-de-lança, cabeceou ao segundo poste com violência e direcção.

Aos 81’, o Chile adiantava-se no marcador e já não precisava de fazer mais do que gerir a vantagem, mas a subida no terreno dos Camarões abriu uma clareira para Alexis surgiur na área, contornar Ondoa e falhar o golo só com um defesa pela frente. Vargas, predador de área, estava atento ao ressalto e finalizou. Abraçou-se aos colegas, interrompeu os festejos para aguardar novo veredicto do VAR e voltou a celebrar, em definitivo. As repetições exaustivas do lance confirmava o triunfo por 0-2.