Costa: "Devemos estar orgulhosos dos resultados, mas não nos podemos deslumbrar"

Líder do PS acredita que no segundo trimestre vai haver "uma aceleração do crescimento" económico. E que o maior motivo de orgulho é "o resultado obtido em matéria de emprego".

António Costa abriu a reunião da comissão política do PS
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António Costa abriu a reunião da comissão política do PS LUSA/David Fernandez

 O secretário-geral do PS e primeiro-ministro considerou este sábado que os resultados da governação em matéria orçamental e económica são motivo de orgulho, mas advertiu que não podem levar ao conformismo nem ao deslumbramento. Um tom idêntico ao utilizado pelo Presidente da República, que na sexta-feira avisou se que não se pode "adormecer à sombra da bananeira" e já este sábado usou exactamente a mesma expressão: "Deslumbramentos".

"Mas, se temos bons motivos de orgulho pelos resultados alcançados, temos de estar determinados a fazer aquilo que falta fazer. Não podemos estar conformados nem nos deixar deslumbrar. Há muito ainda por fazer", afirmou António Costa, perante a Comissão Nacional do PS, órgão máximo partidário entre congressos, que está reunido num hotel de Lisboa.

Na sua intervenção inicial nesta reunião, que foi aberta aos jornalistas, o secretário-geral do PS provocou um aplauso quando se referiu ao encerramento formal do Procedimento por Défice Excessivo a Portugal (PDE) por parte da União Europeia e ao facto de a agência de notação financeira Fitch "pela primeira vez em muitos anos ter dado uma visão positiva" sobre a dívida portuguesa.

Contudo, defendeu que esses não são os únicos "bons motivos" que os socialistas têm para "estar orgulhosos dos resultados que o país tem alcançado", e salientou a evolução do investimento e das exportações e o crescimento da economia registado no primeiro trimestre, adiantando: "Seguramente, neste segundo trimestre vamos ter novamente uma aceleração do nosso crescimento".

"Mas o resultado que nos deve motivar mais e nos dar mais orgulho - porque durante toda a campanha eleitoral definimos que era o principal objetivo da nossa política económica - é o resultado que temos obtido em matéria de emprego", acrescentou.

 "O facto de, pela primeira vez, o desemprego ter caído para baixo de 10% e de termos tido um dos maiores crescimentos do emprego em toda a União Europeia, é seguramente um motivo de orgulho, e que nos confirma que temos estado na boa direcção".

Agora, "é necessário garantir que este crescimento é sustentável, que a convergência vai prosseguir", criar mais oportunidades para "os milhares de cidadãos que ainda hoje estão desempregados" e condições para o regresso dos "milhares de portugueses que foram forçados a abandonar o país", elencou.

"Temos muito que fazer", concluiu.

Optimismo também para as autárquicas

O secretário-geral do PS considerou ainda que os socialistas partem para as autárquicas com boas perspectivas, num quadro nacional que "não é desfavorável", mas aconselhou os candidatos do partido a "não embandeirar em arco" com as sondagens.

Perante a Comissão Nacional do PS, António Costa declarou: "Temos boas razões para partir para estas eleições autárquicas com confiança. O PS é hoje claramente o maior partido autárquico, quer em câmaras, quer em freguesias".

Defendendo que o mandato dos autarcas do PS "foi marcado pela qualidade e pela exigência", acrescentou: "Os nossos autarcas que se podem recandidatar têm boas condições para obterem renovações das suas maiorias, e mesmo alargamento das votações que tiveram há quatro anos".

"O quadro político nacional não é desfavorável à realização destas eleições. E temos em muitos e muitos concelhos e muitas e muitas freguesias onde não ganhámos há quatro anos melhores possibilidades do que tínhamos então para poder ganhar. Temos, por isso, boas razões para partir com confiança", reforçou.

António Costa lembrou, no entanto, que "não há vitórias antecipadas", considerando que "não vale a pena embandeirar em arco com as sondagens que vão aparecendo", porque "a única e verdadeira sondagem que conta é a do voto dos portugueses no próprio dia das eleições", 1 de Outubro.

"Até lá, esqueçam as sondagens, arregacem as mangas, vamos ao trabalho, porque se queremos ganhar, é preciso trabalhar", aconselhou.