Aeroporto de Lisboa cresce 21% e bate recorde com cinco milhões de passageiros

Crescimento no primeiro trimestre foi seguido de perto pelo Porto. De acordo com os dados do regulador, a Anac, nenhum aeroporto nacional teve uma subida inferior a 10%

Com a estratégia de ponte área entre Porto e Lisboa, retirando voos internacionais da cidade nortenha em detrimento da capital, a TAP mudou também a ordem de importância das principais rotas.
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Com a estratégia de ponte área entre Porto e Lisboa, retirando voos internacionais da cidade nortenha em detrimento da capital, a TAP mudou também a ordem de importância das principais rotas. Rui Gaudêncio

Os aeroportos nacionais voltaram a registar uma subida nos três primeiros meses do ano, com o número total de passageiros a ultrapassar os oito milhões (8.434.922), valor que representa uma subida de 18% face a idêntico período de 2016. De acordo com os dados agora disponibilizados pelo regulador do sector, a Anac, a maior variação de passageiros ocorreu em Lisboa, ao crescer 21%, o que fez o aeroporto da capital ultrapassar a fasquia dos cinco milhões (5.180.491).

Esta é a subida mais acentuada desde 2008, ano em que a Anac começou a disponibilizar os dados. E, para se ter uma ideia do crescimento, o número de passageiros que circularam pela aeroporto de Lisboa entre Janeiro e Março deste ano é superior ao total registado nesse espaço temporal em todos os aeroportos nacional, geridos pela ANA (do grupo francês Vinci) em 2012.

De resto, verifica-se uma tendência de subida que não é interrompida há oito anos (dados da ANAC mostram uma quebra em 2009, na sequência da crise financeira global). No aeroporto de Lisboa, o domínio é da TAP, com uma quota de 51%, seguindo-se a Ryanair (12%) e a Easyjet (9%).

No caso do Porto, o crescimento foi também bastante expressivo, de 19,9%, passando uma nova barreira, a dos dois milhões de passageiros (2.125.629). Neste caso, quem domina é a irlandesa Ryanair (40%, cabendo 17% do mercado à TAP e 15% à Easyjet).

Com a estratégia de ponte área entre Porto e Lisboa, retirando voos internacionais da cidade nortenha em detrimento da capital, a TAP mudou também a ordem de importância das principais rotas. O maior número de movimentos cabe agora à rota Porto/Lisboa (4,5% do total), que supera assim a de Lisboa/Madrid (3,4%).

Já na Madeira, a Easyjet conquistou a primazia em clientes, com 18%, cabendo 15% à TAP (18% no primeiro trimestre de 2016). Aqui, o crescimento em passageiros no período em análise foi de 10,09%, o menos expressivo de todos (Faro registou uma subida de 11,5% e Ponta Delgada, de onde a Easyjet já disse que ia sair em Outubro, 18,5%).

De acordo com os dados da ANAC, o crescimento nas infra-estruturas aeroportuárias foi impulsionado tanto pelo segmento doméstico como pelo internacional (espaço europeu sem fronteiras e segmento internacional). Do número total de 8,4 milhões de passageiros, 88% são estrangeiros.

Além do reforço de ligações (e algumas saídas, como a da Everjets no Funchal) houve neste período a entrada de companhias como a Azul, em Lisboa (futuro accionista da TAP, está a fazer a ligação a São Paulo em regime de codeshare), e a da Wizzair, no Porto (com ligação a Budapeste e Varsóvia).

Num contexto de forte concorrência entre companhias áreas, o aeroporto de Lisboa depara-se com desafios de crescimento, que irão permanecer até à abertura de uma nova infra-estrutura. A solução defendida pela ANA e pelo Governo aponta para o Montijo como complemento (Portela+1), mas, até à sua abertura, prevista para 2021, haverá constrangimentos a mais movimentos, e a novos crescimentos do número de passageiros a dois dígitos.