David Grossman vence o Man Booker International Prize

Escritor israelita foi distinguido pelo romance A horse walks into a bar.

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David Grossman recebeu o prémio em Londres, esta quarta-feira WILL OLIVER/ EPA

O escritor israelita David Grossman venceu o Man Booker International Prize, pelo seu romance mais recente, A horse walks into a bar, traduzido para inglês por Jessica Cohen.

O anúncio foi feito esta quarta-feira na página oficial do Man Booker International Prize, prémio atribuído anualmente às melhores obras de ficção traduzidas para a língua inglesa.

Entre os 13 seleccionados para este prémio, e posteriormente eleito entre os seis finalistas, estava o também israelita Amos Oz, com Judas, o mais recente romance do escritor, também publicado em Portugal (Dom Quixote).

O prémio é atribuído todos os anos a um único livro, traduzido para inglês e publicado no Reino Unido, sendo elegíveis tanto romances, como colecções de contos. O trabalho dos tradutores é igualmente recompensado. O vencedor recebe um prémio de 50 mil libras (cerca de 56,8 mil euros), a ser dividido entre autor e tradutor.

O romance vencedor este ano gira em torno da vida de um comediante que se vai revelando durante uma actuação nocturna num espaço de stand-up, na cidade de Cesárea, e, através da actuação, entre o comediante e o público começa a desvendar-se uma história mais profunda, que irá alterar a vida dos membros da audiência.

Nick Barley, presidente do Man Booker 2017, considerou na página oficial do prémio que este livro "lança uma nova luz sobre os efeitos da tristeza, sem traços de sentimentalismo". "Deixaram-nos boquiabertos os riscos emocionais e estéticos que Grossman assume: cada frase conta, cada palavra conta, neste exemplo supremo de arte de um escritor", acrescentou Nick Barley.

Na sessão em que recebeu o prémio, e citado pela France Presse, Grossman agradeceu e disse: "Amarei este prémio e esta noite". E estendeu o agradecimento à sua tradutora britânica, "a maravilhosa e dedicada Jessica Cohen".

David Grossman, nascido em Jerusalém em 1954, começou a sua carreira como jornalista e foi despedido da radio devido às suas coberturas críticas de Israel. Escreve literatura desde os anos 1970 e é autor de obras traduzidas em português – como Ver: amor, Em Carne Viva (ambos na Campo das Letras), Até ao Fim da Terra (Dom Quixote) ou O Mel do Leão (Teorema) – e em mais cerca de trinta outros idiomas. Antes do Man Booker, recebeu já vários outros prémios internacionais, como o Medicis, em França.

Conhecido pela sua postura crítica em relação à política de ocupação israelita de territórios palestinianos e comprometido com o processo de paz, o autor de 63 anos perdeu o seu filho Uri, na segunda guerra do Líbano, em 2006.

Além de David Grossman e Amoz Oz, chegaram à final do Man Booker International Prize os escritores Dorthe Nors, da Dinamarca, com Mirror, Shoulder, Signal; o francês Mathias Énard, com o romance Compass (Bússola, na edição portuguesa da Dom Quixote); o norueguês Roy Jacobsen, com o romance The Unseen; e a argentina Samanta Schweblin, com Fever Dream.

Em 2016, o prémio internacional Man Booker distinguiu a sul-coreana Han Kang, juntamente com a sua tradutora Deborah Smith, pelo romance "A Vegetariana, publicado em Portugal em Setembro, pela Dom Quixote. 

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