Trump autorizou o Pentágono a aumentar número de tropas no Afeganistão

Secretário da Defesa, James Mattis, disse que em meados de Junho irá ao Congresso apresentar a nova estratégia dos EUA para este país. Críticos dizem que aumento de soldados não dará estabilidade e segurança aos afegãos.

Soldado afegão com bandeira americana junto a uma base militar
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Soldado afegão com bandeira americana junto a uma base militar Reuters

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou o secretário da Defesa James Mattis a rever o número de tropas no Afeganistão, abrindo a porta para o aumento do número de efectivos naquele país, como vinha a ser pedido pelo comando americano no terreno.

Fontes oficiais que pediram anonimato disseram à Reuters que não foi tomada ainda uma decisão sobre o aumento do número de soldados, que são actualmente 8400.

A decisão de Trump decalca outra já anunciada em Abril sobre a possibilidade de serem aumentados os militares na Síria e no Iraque, e surge na sequência do aviso de Mattis ao Congresso sobre o facto de as forças americanas não estarem a conseguir derrotar os taliban apesar de mais de 15 anos de guerra.

"Não estamos a ganhar no Afeganistão", disse Mattis à Comissão de Forças Armadas do Senado na terça-feira. "Temos que corrigir isto o mais depressa que for possível". Mattis disse que os taliban estão "a ganhar terreno".

Um antigo militar disse que a decisão pode permitir à Casa Branca dizer que não está a "microgestão" do problema, como a Administração Obama foi acusada de fazer — ou seja, uma só pessoa tomava todas as decisões sobre a presença militar no Afeganistão.

Mas os críticos dizem que delegar este tipo de autoridades no aparelho militar não retira a responsabilidade política a Trump, caso ocorram problemas no terreno. Além disso, dizem, um aumento do número de tropas americanas no Afeganistão pode reduzir a capacidade de os diplomatas fazerem recomendações ou advertirem que as decisões militares podem provocar contrariedades.

Há quatro meses, o general John Nicholson, que comanda a força americana e internacional no Afeganistão, disse que precisava de mais "alguns milhares" de homens.

Fontes militares dizem que está em discussão o possível reforço da força em 3000-5000 tropas. A maior parte destes homens iriam dar apoio e treino às forças afegãs, mas também está previsto o reforço das tripulações dos meios aéreos.

Está ainda em discussão dar ou não maior poder de decisão às forças no terreno e a adopção de acções mais agressivas contra os combatentes taliban.

Alguns militares questionaram o benefício de um reforço de meios, uma vez que qualquer número de tropas que seja enviado não irá mudar a maré no Afeganistão, e mesmo criar estabilidade e segurança neste país. Até ao momento, 2300 americanos morreram e mais de 17 mil ficaram feridos no Afeganistão desde o início da guerra, em 2001. E qualquer que seja o reforço de tropas, o número de militares americanos no Afeganistão ficará abaixo dos cem mil homens que estavam no país em 2011.

O Governo afegão foi incumbido pelos militares dos EUA de garantir o controlo de 59,7% dos 407 distritos que compõem o território afegão até ao dia 20 de Fevereiro, 11% menos do que tinham exigido para o mesmo período de 2016.

No mês passado, um camião armadilhado matou 150 pessoas em Cabul, no mais grave ataque na capital do país desde que os taliban foram retirados do poder por uma coligação liderada pela NATO — o grupo islamista dominou o país durante cinco anos, até 2001.

No sábado passado, três soldados americanos morreram quando um soldado afegão disparou contra eles numa região oriental do país.

A estratégia regional dos EUA em relação ao Afeganistão é pouco clara. Na terça-feira, Mattis prometeu apresentar aos congressistas as linhas de uma nova estratégia em meados de Junho. Espera-se que seja nessa altura que anuncie o envio de mais tropas para o terreno.

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