Crítica Cinema

O velho leão no inverno

Um retrato de Winston Churchill, correcto mas pouco entusiasmante.

Impecável reconstituição de época britânica
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Impecável reconstituição de época britânica

A ideia subjacente a este retrato do político icónico que conduziu os destinos da Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial está longe de ser desinteressante: concentrar-se nos quatro-cinco dias que antecedem o lançamento do desembarque na Normandia no Dia D exclusivamente pelos olhos de Winston Churchill.

Na performance modulada de Brian Cox, Churchill é um “velho leão” ressentido por ter sido “posto de lado” pelos comandantes militares, ao mesmo tempo que é um herói com sede de protagonismo que não quer admitir que já não tem idade para heroísmos, e um homem frágil e envelhecido, sucumbindo ao peso de ter o mundo inteiro às costas.

Tudo muito bem feito de acordo com as regras da impecável reconstituição de época britânica, tudo muito bem interpretado por um elenco de actores que faz estas coisas com uma perna às costas (Miranda Richardson quase não tem nada para fazer no papel da esposa Clementine, mas o que faz com esse nada é espantoso).

Mas também tudo muito pouco entusiasmante e muito pouco ajudado pela tendência do australiano Jonathan Teplitzky (Uma Longa Viagem, 2013) de “fazer efeito” — pôr as personagens em contra-luz junto a monumentos para sugerir a escala histórica do evento, panorâmicas lentas e grandiosas que não servem em nada a história, uma partitura desnecessariamente empolada de Lorne Balfe. Como se já não chegasse ter actores e uma história para fazer um filme — e o pior é que esse filme, o que Teplitzky não fez, era capaz de ser menos entediante.