Ainda sem um acordo com unionistas, May adia início oficial da legislatura

Discurso da Rainha, previsto para a próxima segunda-feira, foi adiado "por alguns dias". Negociações do "Brexit" deveriam começar na mesma data.

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May continua sem finalizar o acordo com os unionistas do DUP Stefan Wermuth/Reuters

O Discurso da Rainha no Parlamento britânico, que marca o início oficial da legislatura e em que Isabel II lista as prioridades do Governo, foi adiado “por alguns dias”, noticiou a BBC. A sessão estava prevista para a próxima segunda-feira, mas Theresa May terá decidido esperar um pouco mais, a fim de garantir que consegue finalizar um acordo com os unionistas da Irlanda do Norte e garantir que tem votos suficientes para apoiar o seu executivo minoritário.

Não há ainda uma data para a nova sessão, que iria coincidir com a data prevista para o início das negociações de saída do Reino Unido.

Horas antes, o ministro britânico para o “Brexit”, David Davis, tinha sugerido que as negociações em Bruxelas poderiam não começar dia 19, alegando que tinha de estar em Londres para o início da legislatura. A UE fez saber que está pronta a arrancar de imediato as conversações, que terão de estar terminadas no início de 2019, mas admite dar “mais alguns dias” a May, que depois de ter perdido a maioria absoluta nas legislativas de quinta-feira passada, precisa de assegurar que tem condições para governar e negociar o “Brexit”.

Durante o fim-de-semana, o Partido Democrático Unionista (DUP) assegurou que não tinha ainda finalizado um acordo com os conservadores e só nesta terça-feira a líder da formação, Arlene Foster, vai reunir-se em Londres com May. O DUP elegeu dez deputados para o Parlamento britânico, cruciais para garantir a aprovação de um novo governo, do orçamento e das leis que este apresentar. No entanto, esta aliança está a provocar incómodos, quer entre os que temem a agenda demasiado conservadora do DUP, quer os que afirmam que a aliança poderá desestabilizar a Irlanda do Norte que está há meses sem governo, sem que os unionistas e os republicanos do Sinn Féin se entendam sobre um novo acordo de partilha de poder.

A imprensa especula também que a líder conservadora irá abdicar de algumas das promessas centrais que incluiu no programa eleitoral – e que ajudaram a minar a sua campanha, como o polémico aumento das contribuições dos idosos que recebem apoio domiciliário –, a fim de assegurar o apoio tanto dos seus deputados como do DUP.

Esta segunda-feira, Theresa May terá uma prova de fogo na reunião com o seu grupo parlamentar, onde são já várias as vozes a defender o afastamento da primeira-ministra. May parece, no entanto, continuar a contar com o apoio da ala eurocéptica – que teme que a sua saída pusesse em causa os actuais planos para o “Brexit” – e dos membros do seu governo. Entre eles está David Davis que, numa entrevista à BBC Radio 4, admitiu que a campanha conservadora “foi decepcionante”, mas afirmou que May é “uma primeira-ministra formidável” e criticou os que questionam o seu futuro.