PT Portugal estreia nova estratégia para dispensar 37 trabalhadores

Trabalhadores da área informática serão transferidos automaticamente para outra empresa a partir de 1 de Julho. Quem não quiser, só tem uma opção: rescindir unilateralmente.

A PT Portugal é liderada por Paulo Neves
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A PT Portugal é liderada por Paulo Neves Rui Gaudencio

Espalhados um pouco por todo o lado (Santarém, Évora, Faro, Aveiro, Setúbal…), 37 trabalhadores da área informática da PT Portugal (Meo) foram “chamados às Picoas” (a sede da empresa, em Lisboa) na quinta-feira, para uma reunião no dia seguinte. A convocatória não tinha assunto, mas, com a “rádio alcatifa” da empresa, e os rumores permanentes sobre despedimentos e rescisões, o mote da conversa já se fazia adivinhar.

De acordo com relatos dos trabalhadores, às 16h30 de sexta-feira, nas vésperas de uma semana de feriados e o país a meio gás, tinham a recebê-los o administrador com o pelouro dos recursos humanos, João Zúquete da Silva e a sua equipa. Dos 37, quem pôde ir presencialmente foi, quem não pôde, participou por videoconferência. A estes trabalhadores, repentinamente integrados numa nova unidade autónoma chamada Desktop Management, foi explicado que a partir de 1 de Julho deixarão de ser trabalhadores da PT, passando automaticamente para a Winprovit – Soluções Inteligentes, soube o PÚBLICO junto de fonte dos trabalhadores.

Esta segunda-feira foram convocados para uma reunião de apresentação com o novo empregador no dia 28 de Junho.

É a primeira vez que a empresa utiliza esta metodologia para reduzir o número de trabalhadores, confirmou ao PÚBLICO Jorge Félix, do Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT). A Winprovit, que é actualmente um dos reparadores com que trabalha a PT Portugal, tem como compromisso manter o salário e as regalias (como o seguro de saúde) durante um ano, mas depois disso acabam-se as garantias, segundo os trabalhadores ouvidos.

A informação foi apresentada como um dado adquirido, pelo que quem não concordar com esta transferência automática só têm uma opção: abandonar a PT. Fonte dos trabalhadores fala em “despedimento encapuzado” e diz que em causa estão, na sua maioria, trabalhadores com cerca de 50 anos de idade e muitos anos de casa.

A informação desta reorganização foi entretanto confirmada ao PÚBLICO por fonte oficial da empresa liderada por Paulo Neves, dizendo tratar-se de “uma reorganização interna da Direcção de Tecnologias de Informação: “A Meo confirma que acaba de assinar com a Winprovit um contrato de prestação de serviços para as áreas de apoio ao utilizador que prevê a transmissão para esta empresa das actividades de Service Desk, Desktop Management e Printing”.

Num comunicado interno divulgado aos sindicatos (com os quais se reuniu, antes de receber os trabalhadores envolvidos), Zúquete da Silva explicou ser necessário que esta área, que não é estratégica, “mas mera função de suporte”, seja descontinuada internamente. É uma medida que trará benefícios quer para a PT, quer para a Winprovit, assegurou. A própria PT passará a "contar com uma prestação de serviços mais focada que visa dar uma resposta mais rápida e eficaz às exigências inerentes a esta atividade, até aqui desenvolvida internamente".

Sobre os trabalhadores, Zúquete da Silva refere que todos os integrantes desta nova unidade económica “serão incorporados e integrados, de acordo com as respectivas categorias profissionais, nos quadros e departamentos da WinProvit, mantendo todos os direitos adquiridos, decorrentes das respectivas relações laborais de base”. Aqui se incluem o “direito a férias, direito a subsídio de férias e retribuição de férias, direito a subsídio de Natal e, ainda à respectiva antiguidade”.

Para finalizar, o administrador da PT diz que no dia 20 se irá iniciar um período de consulta em que os sindicatos ou a comissão de trabalhadores poderão fazer comentários sobre este processo. Até agora, nada foi formalizado com os trabalhadores.