Um médio ofensivo transformado num avançado de topo

FC Porto chegou a receber "três ou quatro" propostas por André Silva em Dezembro.

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Pedro Trindade/Nfactos

Enquanto criança, André Silva fez o que qualquer criança com aptidão para o desporto faz: foi experimentando modalidades até chegar a uma conclusão definitiva. Mas é em dias como o de hoje que se percebe que a decisão de deixar o karaté, a natação e o hóquei em patins para trás foi acertada. Tão acertada como a opção da equipa técnica do FC Porto de fazer o jovem jogador subir uns metros no relvado.

A história da carreira de André (até à data) é a história de uma ascensão meteórica, desde os primeiros pontapés a sério na bola, em 2003, ainda no Salgueiros, até à estreia pela equipa principal do FC Porto, num encontro da Taça da Liga, a 29 de Dezembro de 2015, em que fez uma assistência para golo (apesar da derrota com o Marítimo). Antes, durante o percurso formativo, chegou a passar pelo Boavista e até pelo Padroense, sempre com a posição “10” em ponto de mira. Até que as necessidades da equipa júnior dos “dragões” o conduziram à frente de ataque.

“Não sentia [que tinha capacidades de goleador], mas se me puserem numa posição, eu faço o melhor possível. Puseram-me a ponta e o que tenho que fazer é golos”, declarou, numa entrevista em 2013, muito antes de ter dado o salto para o Estádio do Dragão e para 58 jogos e 24 golos em época e meia.

Esse balanço, que a dada altura da temporada passada foi prejudicado pela opção de Nuno Espírito Santo de colocar o avançado a actuar a partir da ala direita, foi abrilhantado com as performances ao serviço da selecção A. A confiança de Fernando Santos tem sido retribuída com boas exibições e golos, tantos quantos os jogos realizados (seis) até agora na qualificação para o Mundial 2018.

O talento de André Silva já tinha gerado movimentações a meio da época, com “três ou quatro” propostas a chegarem ao FC Porto em Dezembro, mas na altura Pinto da Costa quis manter o avançado no plantel, para lutar pelo título. Foi apenas o adiamento de um negócio quase inevitável, já que a cláusula de rescisão era de 60 milhões. “É um jovem com muita qualidade e pode ser um dos melhores avançados do mundo”, antevê à Sky Sports o empresário Jorge Mendes, que mediou as negociações.