Sobre a resistência do mármore (e também do calcário)

Depois de Veneza, o elogio da pedra portuguesa tem agora nova etapa na Alemanha, numa exposição no Vitra Campus. Souto de Moura, Carrilho da Graça e Paulo David estão entre os novos convidados da curadora Guta Moura Guedes.

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Exposição no jardim da Vitra Haus vai ficar patente até 2 de Julho Ricardo Gonçalves
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Banco de pedra de Carrilho da Graça Ricardo Gonçalves
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Mult, de Paulo David Ricardo Gonçalves
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X, de Mia Hägg Ricardo Gonçalves
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Water, de Bijoy Jain Ricardo Gonçalves
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Muros de luz, do Studio MK27 Ricardo Gonçalves
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Conversadeira de Souto de Moura Ricardo Gonçalves
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Banco de jardim de Álvaro Siza Ricardo Gonçalves
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Gather, de Vladimir Djurovic Ricardo Gonçalves
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Deconstructing the cube, de Amanda Levette Ricardo Gonçalves
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A thing not an object, do estúdio Elemental Ricardo Gonçalves

Depois do mármore, o calcário. Um após o seu lançamento, em Veneza, o projecto Primeira Pedra – Resistência chega agora aos jardins do Vitra Campus, em Weil am Rhein, na Alemanha, para mostrar as potencialidades da pedra portuguesa. E junta à dureza do mármore de Estremoz a maleabilidade do calcário da região Centro do país.

“Existem pedras que se moldam com as mãos limpas, apenas com os dedos; outras, que para serem trabalhadas requerem tecnologias complexas; todas elas se formaram há milhões de anos; são elas próprias um exemplo de resistência”, escreve Guta Moura Guedes, curadora deste projecto, que tem (ainda) a chancela da Experimenta Design e o patrocínio da empresa Assimagra.

Aos cinco arquitectos convocados para mostrar, na Bienal de Arquitectura de Veneza de 2016, como o mármore português pode ser matéria de design – Álvaro Siza, a britânica Amanda Levete, a sueca Mia Hägg, o indiano Bijoy Jain e o chileno Alejandro Aravena –, outros tantos arquitectos e ateliers acrescentam-se para expor novas possibilidades de trabalhar o mármore e o calcário. São eles Eduardo Souto de Moura, João Luís Carrilho da Graça e Paulo David, ao lado do libanês Vladimir Djurovic e do brasileiro Marcio Kogan com o seu Studio MK27.

Aproveitando a realização da conceituada Feira de Arte de Basileia (Art Basel 2017), mesmo do outro lado da fronteira com a Suíça, este segundo momento de Primeira Pedra – Resistência recupera algumas das peças já apresentadas em Veneza – o banco de jardim de Siza, o “X” multiusos de Mia Hägg e o banco “metamórfico” de Amanda Levete –, e acrescenta-lhe novos projectos. Da arquitecta britânica que projectou o MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, em Lisboa, acrescenta-se agora Deconstructing the cube, uma montagem de lajes onduladas de calcário que “desafia as percepções da geometria” e cria um efeito dinâmico para quem a circunda.

Bijoy Jain acabou por substituir o projecto Lore, anunciado em Veneza, por um novo a que chamou Water: trata-se de uma série de seis gárgulas, em calcário lioz, “uma metáfora que reflecte a interacção entre a existência e o tempo”.

Já Alejandro Aravena – que foi o comissário-geral da Bienal de Veneza 2016 – e o seu atelier Elemental mostram agora o resultado do projecto só enunciado no ano passado, A thing not an object, uma peça em mármore, que tanto é uma coisa como um objecto – um escorrega para crianças, por exemplo.

Dos novos convidados a responder ao desafio Resistência, Carrilho da Graça desenhou um banco de mármore, a partir do paralelepípedo criado por Mies van der Rohe para funcionar como banco de espaços exteriores; Paulo David criou Mult, também um banco em mármore, estrutura modular que pode ser montado de diferentes modos; e Souto de Moura propõe uma conversadeira em forma de "S", também em mármore.

Dos estrangeiros, o estúdio de Marcio Kogan criou Muros de luz, recuperando um elemento típico do modernismo brasileiro, as paredes de cobogó, para montar uma espécie de biombo de calcário cujas aberturas permitem criar efeitos de luz e sombra. E Vladimir Djurovic fez Gather, uma instalação em calcário que aproveita os excedentes das pedreiras para as “juntar” numa composição de mesa-banco-parede-acessório decorativo.

A inauguração da exposição está agendada para a tarde (18h) desta segunda-feira e inclui um debate com Carrilho da Graça, Levette, Hägg e Djurovic, moderado pelo director do Vitra Design Museum, Mateo Kries. A mostra abre ao público no dia 13, e ali ficará até 2 de Julho.