Nadal reforça a sua lenda em Roland Garros

O tenista espanhol conquistou pela décima vez o Grand Slam francês.

Nadal após ter ganho pela décima vez Roland Garros
Fotogaleria
Nadal após ter ganho pela décima vez Roland Garros Reuters/GONZALO FUENTES
Fotogaleria
Nadal feliz após mais uma conquista em Roland Garros Reuters/BENOIT TESSIER
Fotogaleria
Rafael Nadal em acção Reuters/PASCAL ROSSIGNOL
Fotogaleria
Rafael Nadal em acção Reuters/GONZALO FUENTES
Fotogaleria
Stan Wawrinka LUSA/YOAN VALAT
Fotogaleria
Stan Wawrinka LUSA/YOAN VALAT
Fotogaleria
Stan Wawrinka Reuters/GONZALO FUENTES
Fotogaleria
O court central de Roland Garros LUSA/TATYANA ZENKOVICH
Fotogaleria
Rafael Nadal em acção LUSA/YOAN VALAT

Decacampeão não é uma palavra muito comum no ténis. Mas a partir de agora será vulgarizada graças a Rafael Nadal que acrescentou, aos seus muitos adjectivos, o de dez vezes campeão de Roland Garros. Dez títulos conquistados entre 2005 e 2017 para o melhor tenista de sempre sobre terra batida. Pela enésima vez, Nadal mostrou que ainda não está acabado: sobreviveu às lesões, à ascensão de Novak Djokovic, à tomada de poder de Andy Murray e ao regresso de Roger Federer e conquistou, após um jejum de três anos, mais um título do Grand Slam, o 15.º, ultrapassando Pete Sampras que estava listado no segundo lugar.

“É um dia muito importante para mim, trabalhei muito para chegar aqui. Este é mais especial por causa do número, da cerimónia, todas as lesões que já tive e porque já tenho 31 anos, já não sou uma criança”, afirmou Nadal, depois de derrotar no derradeiro encontro do torneio, o suíço Stan Wawrinka, por 6-2, 6-3 e 6-1, e tornar-se no terceiro homem a conquistar torneios do Grand Slam enquanto teenager, na segunda década de vida e como trintão.

O break-point de que Wawrinka dispôs no jogo inaugural da final foi enganador. À medida que o encontro foi decorrendo, foi ficando bem patente a falta de soluções do suíço para contrariar a solidez, o ritmo e a determinação de Nadal. A 2-3, apareceu o primeiro break, para o espanhol, que depressa chegou a 0-40. Tendo a esquerda como imagem de marca, é com a direita que Wawrinka gosta de definir os pontos. E no set inicial, 13 dos 17 erros não forçados do suíço vieram desse lado.

Sem perder tempo, Nadal quebrou mais uma vez o adversário no início do segundo set. A intensidade imposta foi fazendo cada vez mais mossa no adversário. Um segundo break, para 4-1, setenciou a partida e, praticamente, o encontro. A única quebra que Wawrinka não evitou foi a da sua raqueta, no derradeiro jogo do segundo set, tal a sua incapacidade de ameaçar sequer romper o serviço adversário.

Com o adversário já mentalmente derrotado, ao fim de duas horas e cinco minutos, Nadal deixou-se cair no court, saboreando a vitória.

“É uma sensação impossível de descrever. Para mim, os nervos e a adrenalina que sinto quando jogo neste court são impossíveis de comparar com outro sítio. É o evento mais importante da minha carreira e vencer aqui outra vez é impossível de descrever”, reconheceu Nadal, que terminou o encontro com 12 erros não forçados (quatro por set) e 27 winners (mais oito que Wawrinka).

Na história do ténis, só Margaret Court detém 10 títulos no mesmo torneio do Grand Slam, o Open da Austrália, mas muitos foram conquistados antes da Era Open, quando os profissionais não podiam competir.

Na emocionante entrega de prémios, o momento alto foi vivido quando o seu treinador desde os 4 anos, Toni Nadal, recebeu igualmente uma Taça dos Mosqueteiros – esta será a última época que acompanha o sobrinho.

Ao longo da quinzena, Nadal não cedeu um único set – o que só tinha acontecido nos triunfos de 2008 e 2010 – e nunca tinha cedido tão poucos jogos a caminho do título em Paris – só Bjorn Borg, em 1978, perdeu menos jogos: 32.

Esta foi a primeira final do Grand Slam que Wawrinka perde, após a conquista de três títulos (Austrália, Roland Garros e Open dos EUA). “Não pratiquei o meu melhor ténis. Fiquei muito atrás no court e ele fez-me hesitar. Tentei encontrar uma solução, de jogar melhor… eu tentei”, frisou o suíço, ciente das dificuldades que são colocadas a quem defronta Nadal neste piso. “Joguei contra o melhor jogador de todos os tempos sobre terra batida. Sim, Rafa joga actualmente ao seu melhor nível”, assegurou Wawrinka, que vai agora “atacar” Wimbledon, o único Grand Slam que nunca conquistou. Para tal, juntou à sua equipa técnica Paul Annacone, antigo treinador de Federer.

Depois de ter iniciado o ano no nono lugar do ranking, Nadal irá surgir esta segunda-feira no segundo posto. Na corrida para Londres, que contabiliza os resultados do presente ano, já está na liderança.

Há um ano, Roger Federer desistiu de competir em Roland Garros, lesionado nas costas, e Rafael Nadal deixou Paris antes da terceira ronda devido a um problema no pulso esquerdo. Agora, os dois veteranos detêm os dois títulos do Grand Slam disputados em 2017. A vida dos tenistas mais novos não está fácil.