Presidente elogia Forças Armadas e fala com ex-combatentes

Em Dia de Portugal, Presidente falou com ex-combatentes da guerra do Ultramar e distinguiu três militares

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Presidente da República despede-se da multidão que o saudou no Dia de Portugal, que decorreu no Porto LUSA/JOSÉ COELHO

Foram muitos os que neste sábado acorreram à Foz, no Porto, para assistir às comemorações oficiais do Dia de Portugal, presididas pelo Presidente da República que surpreendeu ao fazer um discurso com menos de cinco minutos. Mas foi suficiente, para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, fazer uma avaliação positiva. “Foi ao ponto essencial: a unidade nacional".

Ao discursar no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o Presidente da República declarou que importa afirmar que se pretende no futuro um país "independente e livre. Independente do atraso, da ignorância, da pobreza, da injustiça, da dívida, da sujeição. Livre da prepotência, da demagogia, do pensamento único, da xenofobia e do racismo".

Mas, como assinalou Marcelo, este é também Dia de Camões.“ [É] dia da nossa língua, da nossa educação, da nossa ciência, nossa inovação, nosso conhecimento, como que a dizer-nos que só seremos portadores de independência, de liberdade e de universalismo, se juntarmos à cultura ancestral a antecipação do futuro".

Na ocasião, o chefe supremo das Forças Armadas não esqueceu as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, comunidades "desse outro Portugal que nos faz universais”, que devem estar "mais presentes nas nossas leis, nas nossas decisões colectivas, na nossa economia, mas sobretudo na nossa alma".

De resto, aproveitou para dizer que Portugal acompanha "muito de perto" as comunidades "com uma palavra de incondicional solidariedade, em especial para as que mais sofrem ou desesperam”, e abre-se "àquelas e aqueles" que chegam ao país, "de tantas paragens, sonhando ficar" e ter uma vida melhor do que aquela que "lhes é negada nas suas terras natais".

Depois, o Presidente da República deteve-se na simbologia do Dia de Portugal, para dizer que “este dia deve ser a missão do país de todos os dias”: "Respeitar quem nos deu e dá a independência e a liberdade de sermos como somos, criar riqueza, combater a pobreza, superar injustiças, promover conhecimentos, abraçar uma pátria que não tem fronteiras espirituais e nasceu para ser ecuménica e fraternal".

E porque as comemorações oficiais do Dia de Portugal decorreram este ano no Porto, Marcelo puxou pelos valores da “leal, nobre, livre e independente” cidade, para sublinhar que o Porto "nunca traiu" o país, bem como "nunca temeu e nunca vacilou".

A terminar deixou uma mensagem de esperança, com uma referência à visita ao Brasil. "Tal como dentro de horas, em terras de Vera Cruz, unidos nos encontramos todos, para além do que nos possa apertar, afirmando que acreditamos em Portugal, acreditamos nos portugueses. O passado, mesmo quando menos feliz, foi a nossa garantia, o presente é a nossa exigência, o futuro é o nosso destino", acrescentou o chefe de Estado.

Já depois da cerimónia militar terminar, Marcelo cumprimentou os ex-combatentes da guerra do Ultramar, que tinham participado no desfile das várias forças em parada e, rapidamente, foi rodeado por antigos militares e civis e caminhou "abraçado" por populares até à sua viatura oficial, que o aguardava na Avenida Montevideu, na Foz.

Na altura, aproveitou para declarar que o “país deve muito” aos ex-combatentes, que considerou uns “heróis”. "Devemos-lhes muito. São uns heróis. São um exemplo”, declarou perante as pessoas que se juntaram à sua volta.

Antes da intervenção do chefe de Estado falou o presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal. Sobrinho Simões afirmou que os portugueses são um povo com características genético-culturais sui generis. "Não estou a sugerir que há genes portugueses – não há -, o que os portugueses têm é uma mistura notável de genes com as mais variadas origens, se há algo único, ou quase único em nós, é essa mistura genética", disse Sobrinho Simões que, apesar do discurso bairrista, surpreendeu ao declarar que “o Porto não é uma nação".

Em Dia de Portugal, o Presidente da República condecorou três militares dos três ramos das Forças Armadas. António Ribeiro Barreiros, Mário Cortes Sanches e Tiago Silva Portel foram três militares distinguidos ontem por Marcelo.

O PÚBLICO falou com António Ribeiro Barreiros, que é sargento-chefe das Força Aérea, e com Mário Cortes Sanches, oficial imediato da fragata Vasco da Gama, e ambos manifestaram enorme orgulho em receber a distinção. O primeiro foi condecorado com a Medalha de Serviços Distintos, Grau Prata, “pela sua carreira e pelas missões de salvamentos de vidas humanas”, e Mário Cortes Sanches foi distinguido com a Medalha de Mérito Militar, 2.ª classe, pelo seu contributo “para o sucesso do planeamento de operações correntes da actividade das forças e unidades navais, de fuzileiros e de mergulhadores.

?Encontro com Temer, afinal

Afinal, Marcelo Rebelo de Sousa sempre se encontra neste domingo com o Presidente brasileiro, Michel Temer. A confirmação, sem pormenores, foi feita ontem pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, à margem da cerimónia no Porto. Santos Silva elogiou a decisão de Marcelo de levar sempre a comemoração do Dia de Portugal às comunidades portuguesas, sendo que em 2018 a contemplada será a dos Estados Unidos. Marcelo terá assistido ontem à noite a um concerto de Gisela João em São Paulo. O programa prevê que hoje almoce a bordo do navio-escola Sagres, no Rio de Janeiro, onde passa o resto do dia e se encontra com a comunidade lusa.

O primeiro--ministro acompanha Marcelo no Brasil e segue em visita oficial para a Argentina e Chile.

Durante a visita aos Açores, Marcelo chegou a confirmar que as autoridades brasileiras não haviam sido convidadas, que esta seria uma comemoração "de portugueses com portugueses". Mas ressalvou que estas, dadas as boas relações entre os dois países, poderiam sempre querer um encontro, e que isso teria de ser considerado.

Michel Temer livrou-se na sexta-feira, à justa, de um processo que o poderia levar à perda de mandato. Quatro dos sete juízes do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro recusaram aceitar denúncias, feitas no âmbito do caso Lava Jato, de financiamento ilegal da campanha eleitoral de 2014 da coligação Dilma Rousseff-Michel Temer.