Crónica

Adeus, Theresa May

É esse fracasso que o Partido Conservador jamais perdoará. Confiou-lhe o poder. Ela desbaratou-o.

O maior castigo para Theresa May foi ter ganho as eleições e ter perdido a maioria que o antecessor, David Cameron, ganhou e, depois de se demitir por causa do "Brexit", lhe transmitiu.

Assim terá de formar um governo altamente provisório, contando com um partido abertamente antiliberal, o DUP, sabendo que é odiada não só pela grande maioria dos eleitores, como pelo próprio Partido Conservador que ela tanto fez para minimizar.

Os tories só precisam dela para aguentar o barco enquanto arranjam um novo comandante. May confessou publicamente que queria uma maioria maior do que lhe foi oferecida sem ter de ir a votos e pediu que os eleitores votassem de forma a conceder-lhe esse reforço.

Foi recusada. É esse fracasso que o Partido Conservador jamais perdoará. Confiou-lhe o poder. Ela desbaratou-o. Deu-lhe uma maioria parlamentar. Ela trocou-a pela dependência dos unionistas da Irlanda do Norte. Entregou-lhe um governo conservador, sem necessidade de coligações ou concessões parlamentares. Ela respondeu garantindo, a curto e médio prazo, a queda do próprio Governo a que ainda preside, por pura conveniência.

Contra todos os jornais e todas as campanhas Jeremy Corbyn conseguiu a melhor recuperação eleitoral desde 1945. Essa é a maneira tradicional de dizer as coisas. A verdade é que foram os eleitores britânicos que decidiram em quem preferiam confiar. São eles que estão de parabéns pelo espírito aberto – e pela recusa do autoritarismo e da propaganda automatizada e infantil.