O lugar em que São Castro e António Cabrita queriam estar – daqui a seis anos

Para a dupla de coreógrafos, a chegada à Companhia Paulo Ribeiro é um novo (e algo inesperado) patamar de trabalho.

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São Castro e António Cabrita PAULO PIMENTA

São Castro e António Cabrita não estavam “francamente à espera” de se verem à frente de uma companhia de dança em 2017, e muito menos da Companhia Paulo Ribeiro, que chegaram a integrar como intérpretes em algumas criações (São Castro foi chamada para Feminine, em 2008, e para Maiorca, em 2009; depois disso os dois estiveram na peça com que o coreógrafo celebrou os 20 anos da sua companhia, A Festa (da Insignificância), em 2015). “Nesta fase da nossa carreira era de facto um objectivo daqui a seis anos termos uma estrutura assim. Mas já que aqui chegámos antes disso queremos que esta casa seja uma oportunidade para produzirmos em condições de que nunca dispusemos antes – e também para que outros criadores venham cá apresentar-se, incluindo o Paulo Ribeiro, que em Novembro vai estrear em Viseu a sua nova peça para a companhia, Walking with Kylián. Never stop searching”, esclarece António Cabrita.

Será, diz Paulo Ribeiro, uma excepção: “Tive uma autorização especial para esse efeito porque já havia compromissos assumidos, mas a partir de 2018, e até ao final do mandato, estarei em exclusividade na Companhia Nacional de Bailado.” A sua própria companhia, acrescenta, fica bem entregue a “duas pessoas muito sérias, que trabalham com consequência e que desenvolveram um olhar profundo sobre a dança e uma identidade bem definida, o que é raro – muitos criadores vão pescando aqui e ali e no fim o que parece uma linguagem própria é um amontoado de coisas dos outros”.

Mais do que de descendentes artísticos, o coreógrafo estava à procura de cúmplices nos quais pudesse depositar serenamente um património construído ao longo de duas décadas e que passa não só por um repertório de dezenas de peças ­– duas delas mantêm-se em digressão nesta temporada, Ceci n’est pas un film. Dueto para maçã e ovo e A Festa (da Insignificância) –, mas também por um historial pedagógico (Paulo Ribeiro também deixou em Viseu uma escola de dança, a Lugar Presente). Mas sobretudo estava à procura de sensibilidades que, não sendo completamente estranhas à companhia, lhe pudessem dar “um novo fôlego” – expectativa a conferir nas próximas quatro temporadas, que, ao contrário da que está em curso, já sairão completamente da cabeça dois novos directores artísticos.

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