Sérgio Conceição promete dar uma alegria aos portistas em Maio

O novo treinador do FC Porto confessou que aceitou a proposta portista por "amor ao clube".

Sérgio Conceição recuperou uma memória dolorosa, com 26 anos, para condensar o turbilhão de emoções que teve de controlar na sua apresentação como treinador do FC Porto até 2019. Antes de satisfazer a curiosidade suscitada neste seu segundo regresso, Sérgio Conceição agradeceu a Deus e abriu o coração perante uma plateia emoldurada junto aos quadros evocativos da memória ainda fresca de um FC Porto “campeoníssimo”.

“Há 26 anos levei três meses a convencer o meu pai para me deixar vir para os juniores do FC Porto. Mas o dia seguinte à minha vinda foi muito triste”, sublinhou, lembrando a data em que perdeu o pai. “Este momento é o concretizar de um sonho. As duas pessoas mais importantes da minha vida — os meus pais — estarão felizes a olhar com muito orgulho o meu trajecto, que não tiveram oportunidade de acompanhar em vida.” A nota emotiva calou fundo no coração dos presentes, levando Pinto da Costa a enfatizar o “grande coração” do jovem que viu despontar nas Antas, um órgão vital na velocidade da resposta afirmativa de Sérgio quando o presidente lhe perguntou se queria treinar o FC Porto. “De quanto tempo precisou para responder? Do tempo que leva a dizer sim”, vincou o líder portista, enquanto explicava todo o processo. “O que ele conseguiu no Nantes é muito mais difícil do que os feitos de Zidane e Ronaldo no Real Madrid. Mas já antes disso tinha a certeza de que ele seria treinador do FC Porto a muito curto prazo”, disse Pinto da Costa, historiando o processo que levou ao acordo final.

“Quando o Nuno Espírito Santo, por proposta de Jorge Mendes, saiu para abraçar um projecto em Inglaterra, contactámos três ou quatro treinadores”, admitiu, garantindo que Sérgio Conceição não constava da lista de candidatos... por uma razão simples. “A 27 de Maio, dia em que celebrámos 30 anos da conquista de Viena, almocei com Luciano d’Onofrio e dei-lhe conta do meu desejo”, um anseio colocado de lado por achar inviável, face ao vínculo do técnico com o Nantes.

“Quando o D’Onofrio me contou a conversa que tivera, na véspera, com o Sérgio Conceição, percebi que poderia haver acordo... Assim o presidente do Nantes fosse sensível à situação familiar do Sérgio. A partir daí tudo se precipitou”, concluiu, confiante de que a “competência, dedicação e paixão pelo clube” trarão os títulos com uma equipa competitiva e vencedora, não na cadeira de sonho — a apresentação foi feita de pé — mas no “estádio de sonho”.Palco a que Sérgio Conceição promete devolver a alegria já em Maio. “O penta do Benfica? Vai coincidir com o nosso título”, disparou, dizendo que a Taça de Portugal é o mínimo que se exige no FC Porto e que o título é o principal, bem como uma Champions forte. Conceição revelou ainda um pouco do carácter de que todos falam, esquecendo-se da “qualidade” que garante possuir. “Não venho aqui para aprender. Venho ensinar”, vincou, advertindo que “ganhar no grito” é coisa do passado. “Gosto da pressão, faz-me desconfiar de mim todos os dias. Mas é preciso inteligência e estou preparadíssimo para este desafio”, acrescentou.