Crítica

Pai e filho

A relação entre Jacques-Yves Cousteau e o filho Philippe num filme exemplar de um simpático “cinema médio”.

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A história de uma família feliz que sucumbe à popularidade e ambição do pai

Desenganem-se aqueles que julgam que a Odisseia que o francês Jérôme Salle quer contar é a odisseia da vida de Jacques-Yves Cousteau, o inventor do escafandro autónomo, o capitão do Calypso, o homem que primeiro mostrou ao mundo o que estava debaixo da superfície do mar.

Na verdade, o que Salle quer é contar, ao longo de 30 anos, a história de uma família feliz que sucumbe à popularidade e ambição do pai, à luz da relação entre “o comandante” Jacques-Yves e o seu filho mais novo, Philippe, aquele que mais parecido é com o pai na sua atracção pela aventura, numa luta entre idealismo e pragmatismo.

A Odisseia está longe de ser um biopic hagiográfico – pai e filho são pintados de modo complexo, sem que lhes seja atribuído qualquer “santidade”, e o filme faz questão de explicar no genérico final que não tem nenhum tipo de afiliação com os herdeiros - mas tudo acaba por se resolver num arco clássico (ascensão, queda, redenção), ancorado na morte de Philippe em 1979 num acidente de avião.

Dito isto, esse classicismo está feito com bom gosto e desenvoltura, sabe valer-se dos actores (Lambert Wilson e Pierre Niney, o Saint-Laurent de Bertrand Bonello, são excelentes), mas é despersonalizado, percorre-se sem frémito nem rasgo.

É o perfeito exemplo de um “cinema médio” que não inventa nem quer inventar – e isso é simpático - mas que também não ofende nem entusiasma. Já não é mau.