Segunda temporada de 13 Reasons Why poderá ter vários narradores

A continuação do fenómeno do Netflix irá mostrar outras versões dos acontecimentos que levaram ao suicídio de Hannah Baker. A produção admite não se autocensurar face às críticas.

Katherine Langford irá regressar à pele de Hannah Baker
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Katherine Langford irá regressar à pele de Hannah Baker Netflix

No mês passado, foi anunciado que 13 Reasons Why – Por Treze Razões regressaria em 2018 para uma segunda temporada. A série juvenil, que conta a história do suicídio da adolescente Hannah Baker (Katherine Langford) e de todos os que estiveram directa ou indirectamente ligados àquele desfecho trágico, tornou-se o fenómeno da temporada do Netflix e conquistou o público e a crítica. O tratamento gráfico de temas como o bullying, o abuso sexual e o suicídio originou várias críticas à produção do Netflix, mas o seu sucesso imediato fez com que as conversações em torno da continuidade da história se pusessem rapidamente em marcha.

Os detalhes da segunda tranche da série têm sido mantidos em segredo, mas o elenco e a produção não resistiram a dar algumas pistas sobre a segunda temporada num evento da Television Academy que decorreu na sexta-feira passada. Ao contrário da primeira temporada, que foi narrada segundo a perspectiva de Hannah, os próximos episódios poderão apresentar outras versões dos mesmos acontecimentos. “Provavelmente haverá mais do que um [narrador]”, adiantou Tom McCarthy, produtor executivo, em declarações à The Hollywood Reporter (THR). Já o criador Brian Yorkey, que adaptou o bestseller de Jay Asher ao formato televisivo, acrescentou à THR que “há 12 miúdos que têm outra perspectiva da história que não chegámos a ouvir”.

Na temporada anterior, a narrativa ancorou-se nas memórias de Hannah para reconstruir as circunstâncias que levaram à sua morte através de um conjunto de gravações deixado para trás pela protagonista. Katherine Langford transita para a segunda temporada, já que esta focará os acontecimentos que se seguiram ao suicídio de Hannah, nomeadamente a recuperação das restantes personagens face à sua perda. “Clay e Olivia Baker [a mãe de Hannah, interpretada por Kate Walsh] são duas das personagens que têm o caminho mais difícil a percorrer, e esse processo estava muito no início no final da primeira temporada”, acrescenta Brian Yorkey, citado pelo The Independent.

Além disso, o criador promete que o visionamento da continuidade da história permitirá conhecer Hannah e as outras personagens mais a fundo e irá fazer os espectadores reavaliar os seus conhecimentos da trama. “Acho que a segunda temporada se irá centrar nos acontecimentos sobre os quais achamos ter toda a informação e irá permitir perceber que tudo é mais complicado do que pensávamos, e que mesmo a Hannah é uma personagem mais complexa do que o que vimos anteriormente”, explica.

Tom McCarthy refere que as diversas críticas que a série recebeu pela forma explícita como fala do suicídio na adolescência (e que levou a que o Netflix colocasse avisos antes de alguns episódios e produzisse um programa especial para debater aquela temática) não condicionarão o processo criativo. “Usar censura? Não”, afirmou o produtor executivo, reiterando que a “segunda temporada deve ser autêntica para consigo mesma”.

McCarthy, que venceu um Óscar por O Caso Spotlight e mergulhou pela primeira vez no circuito televisivo com 13 Reasons Why – Por Treze Razões, revelou que foi a abordagem realista de temas difíceis que o levou a entrar no projecto. “Como pai de duas filhas, ouço e levo estes temas com muita seriedade. Foi por isso que aceitei fazer a série. Não tinha que fazer uma série televisiva agora. Vi o material e pensei 'Ninguém está a falar sobre estes assuntos’”, disse à THR.

Os dois protagonistas da série partilharam da mesma opinião. “Tudo foi feito com a maior consideração”, reconheceu Katherine Langford. Por sua vez, Dylan Minnette (Clay) afirmou que censurar a segunda temporada seria fugir à honestidade da série e à missão que assume em desencadear uma maior discussão entre pais e adolescentes. “O objectivo da série é ser realista e contar a história de uma forma verdadeira. E se não fosse para seguir esse modelo nos próximos capítulos, acho que a série não continuaria”, explicou.

13 Reasons Why – Por Treze Razões chegou ao Netflix no final de Março e conquistou enorme popularidade à escala mundial, reunindo elogios por trazer para a mesa os problemas enfrentados pelos adolescentes que passam muitas vezes ao lado dos adultos. Dado o seu público-alvo, a série foi também muito criticada pelas cenas de elevada violência e teor sexual. Algumas organizações para a saúde mental também condenaram a série, argumentando que ela “glorifica o suicídio e não oferece soluções alternativas”.