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O que faz um amor veraz?

Disse-nos Antoine Saint-Exupéry “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas (...) a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar”

O amor veraz consegue, acredito que, sem querer ou planejar, humanizar as pessoas. Aprendemos que a vida é mais ampla e bonita se conseguimos enxergá-la, também, com os olhos da emoção e não só os da razão. No mundo verdadeiro do amor, reside um amor diferente, sintonia manifesta da gente.

Disse-nos Antoine Saint-Exupéry “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas (...) a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar”. Assim, é responsável, para eternidade, aquele que cativa alguém. Parece brincadeira de palavras, mas é a realidade do sentimento sentido. Explico-me: Ser cativado, não é estar cativo. Entre o verbo cativar e o nome cativeiro, fico com o primeiro. O caminho da felicidade está traçado pela liberdade que, como num ciclo, encontra o único limite no amor. Se o amor liberta, como posso ser cativo de alguém? Cativo, não. Cativado, sim.

Dizer cativo implica o verbo "estar" no presente. Eu digo: o pássaro está cativo. Agora, dizer cativado implica o verbo "ser", conjugado no passado. Eu digo assim, que fui cativado e o “ser”, aqui, representa a perenidade e uma suposta história para se conseguir êxito em construir. E mais, enquanto quem está cativo, cativou-se, não precisando de complemento algum, cativado pede complemento: quem foi cativado, foi cativado por alguém.

Cativo é dependente. Um pássaro cativo é aquele que depende completamente de alguém para alimentá-lo e, no mundo dos humanos, não é diferente: os cativos são aqueles que igualmente dependem completamente de outros e esses outros, por terem essa relação vital em suas mãos, fazem o que quiserem com os cativos, inclusive maltratá-los, destruindo a confiança.

O grande erro dos relacionamentos modernos, especulo ser a confusão que fazem entre estar cativo e ser cativado. Se cativo é sinônimo de dependente, cativado é aquele que, por antítese, não é dependente do outro, mas interdependente. É responsável, sim, mas porque ama e não porque precisa amar. O cativado ama gratuitamente sem um porquê, o cativo, achando que sabe o que é amor - e, não obstante, nunca saberá, por não conhecer a liberdade, chave da felicidade - "ama", sempre querendo algo em troca, seja o alimento físico, no caso dos pássaros, seja o alimento da alma, no caso dos seres humanos.

O cativo necessita do amor do outro, o cativado ama de um jeito simples, sem necessidade ou razão.