Justiça brasileira aproxima-se de Temer, ao prender ex-assessor

Rocha Loures, visto pela polícia a receber subornos da JBS, é acusado na mesma investigação de que está a ser alvo o Presidente do Brasil.

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Michel Temer e o novo ministro da Justiça, Torquato Jardim Ueslei Marcelino/REUTERS

A polícia brasileira prendeu este sábado Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado e ex-assessor de Michel Temer, acusado no mesmo processo por corrupção no qual o Presidente do Brasil está a ser investigado, no âmbito da operação Lava-Jato.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, classificou Rocha Loures como “homem de total confiança, verdadeiro longa manus” de Temer – ou seja, executor de crime premeditado por outro, relatam os media brasileiros.

O ex-deputado ficou sem o cargo esta semana, e perdeu a imunidade correspondente, porque o Presidente substituiu o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, que voltou ao seu lugar no Congresso. Para a pasta da Justiça, foi nomeado Torquato Jardim, um amigo próximo de Michel Temer, crítico da Lava-Jato e do que tem sido a acção da Polícia Federal.

Rocha Loures foi filmado a receber uma mala cheia com 500 mil reais (137 mil euros) numa pizzaria de São Paulo numa operação montada pela Polícia Federal. A mala foi entregue por um lobista da JBS, a firma do empresário Joesley Batista, que fez as gravações que incriminam o Presidente. A acusação diz que se tratava de um suborno ao Presidente.

Cezar Bitencourt, advogado de Rocha Loures, disse à Reuters que esta detenção era “desnecessária”. Considerou-a parte de uma estratégia para o forçar a fazer uma delação premiada, para prestar declarações que incriminem mais o Presidente. Garantiu no entanto que o seu cliente não o fará: “A minha orientação é contra isso, e a sua família apoia-o”, afirmou Bitencourt.

O momento é delicado para Temer: na terça-feira, o Supremo Tribunal Eleitoral deverá pronunciar-se sobre a queixa feita em relação a ilegalidades na candidatura de Dilma Rousseff-Michel Temer em 2014, que podem levar à perda de mandato do agora Presidente, após a destituição de Rousseff.

O Palácio do Planalto assusta-se com a rapidez com que a justiça brasileira está a agir e receia que Temer seja acusado no âmbito da Lava-Jato. O Presidente quer evitar até prestar declarações.

Sexta-feira, Aécio Neves, ex-candidato à presidência, nas eleições de 2014, e líder do Partido da Social-Democracia Brasileira, igualmente caído em desgraça por causa das gravações de Joesley Batista, foi igualmente acusado pelo procurador Rodrigo Janot de corrupção passiva e obstrução à justiça.

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Aécio foi visado também pelas gravações da JBS Adriano Machado/REUTERS

Aécio foi afastado do cargo de senador e é suspeito de tentar impedir o curso da operação Lava-Jato, e pedir subornos a empresários – como Joesley Batista, que o gravou a combinar a entrega de uma soma. A operação de entrega do dinheiro foi depois seguida pela Polícia Federal. A irmã de Aécio, Andrea Neves, que era como que uma coordenadora da sua carreira política, foi mesmo detida.

Aécio diz-se vítima de uma conspiração, uma mentira, e tem-se defendido através de vídeos e comunicados divulgados através da Internet, relata a Globo. Mas não é a primeira vez que o nome do ex-senador foi citado em investigações sobre corrupção. Tinha sido mencionado várias vezes por empresas de construção apanhadas nas malhas da Lava-Jato, inclusivamente a Odebrecht, explica a BBC Brasil.

Desde que surgiu a denúncia da Joesley Batista, Aécio é visto como um cadáver político, sublinha a BBC.

Temer resiste a que o vejam como um zombie da política brasileira, embora o relógio não corra a seu favor. Faz intensas conversas de bastidores e, segundo a Globo, terá 220 deputados dispostos a impedir uma eventual acusação contra ele. Se o procurador decidir acusá-lo, o pedido terá de ser apreciado em comissão e a seguir no plenário. Temer precisa de pelo menos 171 votos para o impedir.

Pedida prisão para Lula

O Ministério Público Federal de Curitiba, que lidera a investigação da Lava-Jato, pediu ao juiz Sérgio Moro a condenação do ex-Presidente Lula da Silva por corrupção passiva e activa e lavagem de dinheiro, insistindo para que todos estes réus venham a cumprir pena em regime fechado. Ou seja, que fiquem de facto na prisão.

Inclui-se aqui o caso Triplex, relativo ao aparamento no litoral paulista que a construtora OAS teria dado a Lula como contrapartida por negócios feitos com a Petrobras. Pede-se ainda que o ex-Presidente seja multado em 87,6 milhões de reais (24,1 milhões de euros).

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