Guiné-Bissau vai ter mais um fim-de-semana de protestos

País vive mergulhado numa profunda crise política que motivou manifestações que terminaram com violência. Apesar dos pedidos de demissão do primeiro-ministro e pressões internacionais, o Presidente mantem-se irredutível.

Fotografia captada durante os confrontos entre manifestantes e autoridades no sábado passado
Foto
Fotografia captada durante os confrontos entre manifestantes e autoridades no sábado passado Twitter/Miguel de Barros

Este fim-de-semana na Guiné-Bissau vai ser novamente marcado por protestos contra a crise política em que o país está envolvido. Os manifestantes exigem a demissão do Presidente José Mário Vaz e a nomeação de um novo primeiro-ministro. O Governo já emitiu um comunicado a proibir os protestos agendados para sábado e domingo, mas estes devem acontecer.

No sábado passado, o Governo proibiu uma manifestação organizada pelo grupo activista Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados. Contudo, a iniciativa aconteceu e terminou com confrontos com a polícia - 27 pessoas ficaram feridas. O grupo acusou mais tarde a polícia de ter agente infiltrados na manifestação para gerar a violência.

O protesto deste sábado foi agendada pelo grupo Cidadão e o de domingo pelo Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados.

Desde as eleições presidenciais e legislativas de 2014, que se seguiram ao golpe de Estado em 2012, que a incerteza e a instabilidade têm marcado a vida política na Guiné-Bissau. A formação política maioritária, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que apoiou José Mário Vaz (que venceu as presidenciais), sofreu divisões internas, o que inviabilizou a aprovação dos programas de governo. Desde então, foram nomeados quatro executivos diferentes.

Em 2016, os actores políticos guineenses, incluindo os partidos da oposição, encontraram-se em Conacri numa negociação mediada pela Comunidade Económica dos Estados Africanos Ocidentais (CEDEAO) e pelo Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, onde se estabeleceram directrizes para resolver a crise política. Entre elas estava a nomeação de um novo primeiro-ministro que fosse da confiança do Presidente, que não esteve na reunião, mas consensual entre os diferentes partidos com representação parlamentar. Contudo, o Presidente guineense nomeou Umaro Sissoco Embaló - apesar de ter sido anunciado o nome de Augusto Olivais como a escolha dos responsáveis que estiveram em Conacri.

Já este ano, e depois de Sissoco não ter sido capaz de conseguir aprovar o programa de governo, a CEDEAO concluiu que nenhum dos pontos do acordo foi respeitado e estabeleceu o dia 25 de Maio como data limite para que os trâmites da negociação fossem aplicados, o que implicaria a substituição do actual chefe do Governo. O Presidente manteve-se irredutível na defesa de Sissoko.

Este domingo, na cimeira da CEDEAO na Libéria, poderão ser aprovadas sanções contra os políticos guineenses considerados responsáveis pela instabilidade.