Fazer a arquitectura (também) sair da garagem

Três grandes exposições, conferências e visitas guiadas na temporada 2017/18 da Garagem Sul do Centro Cultural de Belém.

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Anna Puigjaner faz a conferência Kitchenless, a 6 de Junho DR

A exposição monográfica Fernando Guerra: Raio X de uma prática fotográfica, a inaugurar a 11 de Julho, vem ainda da agenda da temporada anterior. Mas a conferência que a arquitecta Anna Puigjanner apresenta a 6 de Junho, Kitchenless City, tem já a marca da nova programação da Garagem Sul do Centro Cultural de Belém (CCB), que desde o início deste ano é da responsabilidade de André Tavares, em parceria com Madalena Reis.

“O nosso objectivo é mostrar que a arquitectura não diz só respeito aos arquitectos, e abrir o programa a outras áreas centrando o debate mais nas ideias e menos nas personalidades”, diz ao Ípsilon o ex-comissário geral da Trienal de Arquitectura de Lisboa 2016.

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Daí que o programa de exposições para a temporada 2017/18, divulgado esta terça-feira no CCB, evite centrar-se apenas na monografia e se mostre mais abrangente. Abre, a 14 de Novembro, com a apresentação em Lisboa da mostra que representou Portugal na XV Bienal de Veneza (2016), Neighbourhood, where Alvaro meets Aldo, onde os comissários Nuno Grande e Roberto Cremascoli reuniram e documentaram, sob o mote da “vizinhança”, quatro projectos no domínio da habitação social que marcaram a carreira de Álvaro Siza: Bairro da Bouça, Porto; Campo de Marte, Veneza; Schlesisches Tor, Berlim; e Schilderswijk, Haia.

Em Março do próximo ano, com inauguração no dia 6, Paris Haussmann: Como construir Paris?, exposição comissariada por Benoit Jallon, Umberto Napolitano e Franck Boutté – e que este domingo se despede do Pavilhão do Arsenal, na capital francesa –, vai mostrar como o barão Georges-Eugène Haussmann (1809-1891) mapeou esta cidade dando-lhe a identidade que hoje conhecemos.

Seguir-se-á, a 10 de Julho, Histórias construídas, comissariada por Rodrigo Costa Lima e Amélia Brandão. Trata-se de uma viagem aos bastidores da arquitectura, “sobre a forma como a arquitectura é produzida, construída e utilizada”, diz a nota de imprensa da Garagem Sul.

“A arquitectura tem um papel muito relevante na sociedade portuguesa, mas o seu reconhecimento social é ainda muito frágil – é esta a missão da Garagem CCB: alargar e expandir o quadro da arquitectura em Portugal”, diz também André Tavares a enquadrar a nova programação. E outro exemplo da atenção à vertente social da disciplina é a conferência de Anna Puigjanner, arquitecta e investigadora catalã que virá a Lisboa abrir este novo ciclo das Conferências da Garagem, e dar testemunho do seu trabalho sobre as experiências de habitações colectivas na segunda metade do século XIX nos Estados Unidos, quando o processo de industrialização levou arquitectos a desenhar habitações em volta de cozinhas e outros serviços domésticos colectivos.

No mês seguinte, a 4 de Julho, o arquitecto belga Maarten Gielen falará da experiência do colectivo Rotor no domínio do tratamento e reciclagem dos materiais e dos desperdícios. Após o Verão, as Conferências da Garagem prosseguem com intervenções de Sam Jacob (3 de Outubro), cujo estúdio trabalha também nas áreas do design e projectos de curadoria; e com Bêka & Lemoine (28 de Novembro), autores do aclamado documentário Koolhaas Houselife, a mostrar as suas produções fílmicas sobre arquitectura.

Já em 2018, a arquitecta do Bangladesh Marina Tabassum (13 de Março) vai falar da construção tradicional no seu país; e o suíço Laurent Stalder (8 de Maio) vai mostrar como a arquitectura evoluiu nos últimos dois séculos em função das novas descobertas tecnologias.

A organização de visitas guiadas associadas aos temas das exposições e de várias acções de serviço educativo (oficinas, acções de formação, ciclos de cinema …) faz também parte do calendário de actividades da Garagem Sul.

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