Facebook e Twitter estão melhores a remover discurso de ódio

Em Portugal, foram feitas 100 denúncias relativas à presença de discurso de ódio online, todas pela ILGA. Cerca de um quinto do conteúdo foi eliminado.

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A xenofobia é um dos principais motivos de queixas Reuters/GIORGOS MOUTAFIS

As redes sociais estão a ficar melhor a monitorizar e eliminar rapidamente o discurso odioso das suas páginas. Pelo menos, na Europa. Um ano depois do Facebook, Youtube, Twitter e Microsoft assinarem um Código de Conduta em que se comprometeram a combater este tipo de discurso no continente europeu, a Comissão Europeia revela os resultados do segundo exercício de monitorização do projecto. Contou com a participação de 33 organizações públicas e não-governamentais de 24 países da União Europeia.

Em Portugal, entre 20 de Março e 5 de Maio de 2017 (o período da segunda monitorização), 21% do conteúdo foi eliminado sinalizado pela associação de minorias sexuais ILGA Portugal, que foi a única organização portuguesa que apresentou denuncias nesse período (com um total de 100 queixas). Portugal é o terceiro país com menos conteúdo removido, depois da Irlanda e de Espanha. A Hungria foi o país com mais conteúdo removido (94,5%).

No total, durante o período em questão, as redes sociais eliminaram 1522 conteúdos sinalizados (de um total de 2575), ou seja, deram razão a 59% das queixas. É um valor mais de duas vezes superior aos últimos resultados, de Dezembro de 2016, em que as redes sociais apenas eliminavam 28% do conteúdo sinalizado.

Segundo o relatório publicado pela Comissão Europeia, os resultados confirmam a predominância do discurso de ódio contra refugiados e emigrantes na União Europeia. A xenofobia – que inclui discurso de ódio contra migrantes – está por detrás de 17,8% das queixas a pedir a remoção do conteúdo. Já 17,7% do conteúdo sinalizado inclui comentários de ódio para a comunidade muçulmana, 15,8% referem-se à origem étnica dos utilizadores, e 12,7% relacionam-se com a orientação sexual. O resto divide-se entre críticas ao género, raça e religião, com 8,7% de conteúdo anti-semita.

De entre as redes sociais, o Facebook, que é a maior das plataformas analisadas, recebeu o maior número de conteúdo sinalizado (1273 casos), seguido do YouTube (658 casos) e do Twitter (644 casos). O Facebook foi a empresa mais rápida a rever o conteúdo problemático, chegando a 57,4% das notificações em menos de 24 horas. O Twitter foi o mais lento: com 37,4% de conteúdo revisto em 24 horas.

A maior diferença foi nas respostas dadas a quem sinalizou o conteúdo. O Facebook envia uma notificação sobre o resultado da queixa em cerca de 94% dos casos, quer a queixa venha pelo processo normal de sinalização de conteúdo impróprio (disponível para qualquer utilizador do site) ou por canais específicos destinados a entidades de confiança que se dedicam a sinalizar este conteúdo. Durante o período de monitorização, foi testada a rapidez de resposta em ambos. O Twitter responde a 68,9% das queixas de entidades de confiança e apenas a  13% das queixas vindas de utilizadores normais, enquanto o YouTube dá resposta a 35,5% e 15,6% respectivamente.<_o3a_p>

“É importante que as empresas do sector das tecnologias de informação assegurem o retorno de informação àqueles que denunciaram casos de discursos de incitação ao ódio”, defende a Comissária Europeia da Justiça, Vera Jourová, em comunicado.

A Comissão Europeia descreve os resultados como “positivos” e um sinal de “progresso”, mantendo que irá avançar com restrições e medidas legais contra os gigantes de tecnologia caso não continuem a melhorar no combate a este tipo de conteúdo online.

A implementação deste código de conduta, é a primeira grande tentativa em gerir a resposta que as empresas de tecnologia dão à predominância de discurso de ódio online.

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