Mudanças nas prisões: reclusos são mais velhos, mais escolarizados e há mais mulheres

Número de jovens internados em centros educativos cai 40% entre 2010 e 2016.

Aumentaram os presos por crimes contra o património e contra a vida em sociedade
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Aumentaram os presos por crimes contra o património e contra a vida em sociedade Adriano Miranda

O número de reclusos nos estabelecimentos prisionais aumentou 18,7% entre 2010 e 2016, passando de 11.613 para 13.779. Este aumento “não é uniforme”, uma vez que se registou uma subida de mulheres reclusas de 38,6%, enquanto o número de homens subiu 17,5%.

Os dados sobre os reclusos nos estabelecimentos prisionais divulgados pela Direcção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) indicam que, nos últimos seis anos, se verificou um ligeiro aumento dos detidos com mais de 40 anos e uma diminuição nos restantes escalões etários, apesar de as idades mais representativas se situarem entre os 25 e os 39 anos, seguido da faixa etária dos 40 aos 59 anos.

A DGPJ adianta ainda que, em seis anos, se registou uma ligeira redução dos reclusos com graus de instrução inferiores ao do ensino básico: representavam 9,3% em 2010; passaram para 6,6%, em 2016. Esta redução é compensada sobretudo pelo aumento verificado nos detidos com habilitações literárias correspondentes ao ensino superior, que passaram de 1,2%, em 2010, para 2,6%, em 2016.

As estatísticas da DGPJ indicam ainda que os reclusos que cometeram crimes por tráfico de droga e contra pessoas sofreram uma ligeira descida em seis anos e, por sua vez, aumentaram os presos por crimes contra o património e contra a vida em sociedade.

Foram igualmente divulgados dados sobre o número de jovens internados em centros educativos: diminuiu quase 40% entre 2010 e 2016, passando de 226 para 138. Aquele organismo do Ministério da Justiça refere que esta descida contabiliza uma redução de 39,4% entre os jovens do sexo masculino e de 34,8% no sexo feminino.

Em relação aos escalões etários dos jovens internados em centros educativos, a DGPJ refere que se registou uma tendência de decréscimo das idades até aos 17 anos, tendo o peso destas categorias sofrido uma redução de dois pontos percentuais entre 2010 e 2016.

Esta redução é compensada pelo aumento de cerca de dois pontos percentuais nos jovens com mais de 18 anos.