PAN-Madeira anuncia dissolução com críticas à direcção nacional do partido

O partido queria integrar, como fez em 2013, a coligação que apoia Paulo Cafôfo no Funchal, mas as orientações nacionais vão no sentido contrário a coligações. Por isso, anunciou a dissolução.

Paulo Cafôfo recandidata-se à presidência da Câmara do Funchal
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Paulo Cafôfo recandidata-se à presidência da Câmara do Funchal Nuno Ferreira Santos

"Agradeça ao Cafôfo". O soundbyte da campanha que a JSD-Madeira colocou este mês nas ruas do Funchal, onde se elencam problemas na gestão da cidade, assenta com uma luva à decisão tomada pela Comissão Política do PAN-Madeira, de autodissolução da estrutura regional daquele partido, que nas regionais de 2011 chegou a eleger um deputado para a assembleia madeirense.

Mas aqui a responsabilidade de Paulo Cafôfo, actual presidente da Câmara do Funchal e candidato a um segundo mandato, é outra. O PAN queria integrar, como em 2013, a coligação que apoia o candidato independente, mas as directrizes nacionais são contrárias a coligações.

Por isso, terça-feira à noite, os órgãos regionais do PAN anunciaram, em comunicado, a sua dissolução. “A razão de tal decisão unânime é motivada pela atitude centralista dos órgãos nacionais do partido em Lisboa”, lê-se no documento enviado para as redacções, que acusa a direcção nacional de “falta de compreensão” das especificidades regionais.

Lamentando que o PAN seja dos “poucos partidos” que não dão autonomia às delegações regionais, a comissão política regional do Partido Pessoas-Animais-Natureza reforça a vontade de integrar a coligação que apoia Paulo Cafôfo, da qual fazem também parte PS, BE, Juntos pelo Povo, Nós Cidadãos e PDR. “Era vontade deste órgão regional integrar a coligação Confiança no Funchal e estar aberto a integrar outras coligações em que o ideário do partido fosse respeitado e as suas causas potenciadas, mas a comissão política nacional do PAN vetou autoritariamente tal abertura manifestada por nós”, acusam os militantes madeirenses, argumentando que, durante anos, a Madeira foi o único motor do partido, através da representação no parlamento madeirense e na assembleia municipal do Funchal.

Também em comunicado, a direcção nacional, justificou a decisão de concorrer em listas próprias em Outubro com a “necessidade da afirmação ideológica do partido”, que fica comprometida com coligações. “Esta posição, inscrita na Moção Global de Estratégia, foi aprovada por unanimidade, inclusivamente pelos delegados que representavam o PAN-Madeira, que agora se vêm contradizer”, respondeu de Lisboa.

O PAN é assim mais uma baixa na coligação que apoia o autarca independente do Funchal, depois da saída do PTP e do PND, dois partidos anti-sistema, e do MPT, em choque com Paulo Cafôfo.