Opinião

ASEAN: uma oportunidade perdida para Portugal?

O mercado ASEAN, apesar da sua importância económica regional e global, pouco nos tem interessado.

Este ano, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) celebra o seu 50.º aniversário. Composta pela Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei Darussalam, Laos, Camboja, Vietname e Myanmar, a ASEAN é hoje a região com maior dinamismo económico a nível mundial. O FMI e o Banco Mundial estimam que as economias da ASEAN, que agrupam quase 629 milhões de habitantes, cresçam cerca de 5% tanto em 2017 como em 2018. Esta é uma história de sucesso que dura há mais de quatro décadas. Entre 2004 e 2015, o PIB das economias da ASEAN, a preços correntes, cresceu de 833 mil milhões de dólares para quase 2,5 biliões de dólares. Da mesma forma, o PIB per capita passou de 1500 para 3867 dólares durante esse mesmo período.

No entanto, Portugal parece ter passado ao lado desta região em termos de relações comerciais. De acordo com a UN Comtrade, entre 2000 e 2015, as relações comerciais de Portugal com a ASEAN tiveram pouca representatividade no comércio externo nacional, não ultrapassando mais de 2,5% do total. Durante este período, as exportações tiveram um aumento pouco significativo, passando de 121 milhões para 152 milhões de dólares. Pelo contrário, as importações da ASEAN aumentaram de 303 milhões para 644 milhões de dólares para o mesmo período. Os números do comércio entre Portugal e a ASEAN contrastam com os da União Europeia (UE), que ultrapassam os 70% do total do comércio externo português.

Em Dezembro de 2015, o lançamento da Comunidade Económica ASEAN marcou mais um passo no sentido de maior integração regional através da criação de um mercado comum com livre circulação de mão-de-obra e capital. Este grupo de países foi capaz de, no espaço de 20 anos, eliminar quase todas as barreiras aduaneiras entre os seus Estados-membros e afirmar-se como um bloco económico fundamental para a progressiva integração regional na Ásia Oriental. Num momento em que cresce a retórica do protecionismo nos EUA e em alguns países europeus, a ASEAN, em conjunto com a China, o Japão e a Coreia do Sul (ou ASEAN+3), continuam a mostrar o desejo de promover o comércio livre na região, contribuindo para a emergência de uma nova ordem económica asiática.

Para a ASEAN, a UE-28 é o segundo mais importante mercado para as suas exportações e o terceiro no que toca a importações. Bruxelas tem vindo a negociar acordos de comércio livre com vários membros da ASEAN, tendo já concluído as negociações com Singapura e Vietname e iniciado negociações com as Filipinas e a Indonésia. Se a mensagem que tem sido passada pelos agentes políticos e económicos é a de que Portugal precisa de diversificar os destinos de exportação para a economia continuar a crescer e sair da dependência comercial com a UE, o que os dados comerciais revelam é que o mercado ASEAN, apesar da sua importância económica regional e global agora e nos próximos tempos, pouco nos tem interessado.

Os autores escrevem segundo as normas do novo Acordo Ortográfico