Um festival para lançar a lusofonia na Europa

Durante dois dias, a primeira edição do MIL – Lisbon International Music Network tenta lançar as bases para uma maior internacionalização da música lusófona. Concertos e debates tentam cativar a atenção de profissionais da música europeus.

Foto
Diron Animal dr

Chama-se MIL – Lisbon International Music Network e explica-se assim: é um festival mas não é apenas um festival. É um festival porque junta durante dois dias uma enxurrada de concertos em seis salas lisboetas, mas não é apenas um festival porque a par disso apresenta um conjunto de conferências para debater a divulgação da música moderna lusófona e a sua internacionalização. É, por isso, aberto ao público mediante a normal aquisição de um bilhete, mas reserva parte da programação apenas para profissionais acreditados.

O MIL nasceu da cabeça de Fernando Ladeiro-Marques, co-produtor do festival (divisão de tarefas com Gonçalo Riscado, da CTL, gestora do Musicbox), director do semelhante MaMa em Paris e antigo responsável pelo festival Cosmopolis, em Lisboa. “Pensámos nisto porque existe este tipo de festival e de convenção em vários países do mundo e aqui não existia um evento que reunisse os actores da música nacionais e internacionais, com vista a criar relações, colaborações e business”, conta Ladeiro-Marques. Gonçalo Riscado acrescenta que “Portugal é dos países que menor investimento faz na exportação da sua música popular contemporânea. Não existe export office, as mecânicas de internacionalização não funcionam” e a consequência é a oportunidade desperdiçada de profissionalização e evolução de todo o sector.

Com este tipo de preocupações (que encontramos também no Westway Lab, Guimarães) em mente, além de propor 57 concertos distribuídos por Musicbox, B.Leza, Lounge, Sabotage, Tokyo e Roterdão, sempre na proximidade do Cais do Sodré, esta quinta e sexta-feira, o MIL estende até à Câmara Municipal de Lisboa uma dimensão política com debates centrados na relação da política com a criação pop contemporânea e na forma comos circuitos culturais devem ser integrados no pensamento sobre as cidades e no desenvolvimento das suas estratégias. Para este aspecto particular, a discussão implica o secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, a presidente da EGEAC, Joana Gomes Cardoso, representantes de gabinetes de exportação internacionais, investigadores, arquitectos e economistas.

Haverá ainda espaço para reflectir sobre a forma como são programados os grandes eventos europeus, a abordagem ao mercado brasileiro, as relações entre artistas e managers, os direitos dos artistas na era digital, o papel das editoras independentes no contexto actual ou projectar o mercado lusófono em 2030. Como principal orador, o MIL acolherá a presença de Martin Elbourne (dia 2, pelas 11h00, na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva), ex-agente dos Smiths e dos New Order, co-fundador do festival WOMAD, director criativo do The Great Escape e um dos principais bookers de Glastonbury.

Quanto a concertos, que deverão ser testemunhados por profissionais ingleses, franceses, alemães, belgas, suíços, luxemburgueses, italianos e espanhóis, assim como representantes de alguns dos maiores festivais europeus, conte-se com uma muito robusta e diversificada representação portuguesa em que se incluem B Fachada, Paus, Capitão Fausto, DJ Firmeza, Linda Martini, Medeiros/Lucas, Éme ou Benjamim, mas também com um foco lusófono exemplificado pelo brasileiro Momo ou pela moçambicana Selma Uamusse, assim como uma considerável embaixada francesa.