Ao dizer que a Europa está sozinha, Merkel está só a ser sincera com os EUA

Chanceler alemã comentou o discurso em que afirmou que a Europa deixou de poder depender do seu aliado norte-americano por causa de Donald Trump.

Angela Merkel, Donald Trump e Paolo Gentiloni na cimeira do G7, na Sicília
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Angela Merkel, Donald Trump e Paolo Gentiloni na cimeira do G7, na Sicília Jonathan Ernst/REUTERS

A chanceler Angela Merkel acredita na importância de sólidas relações entre a Alemanha e os Estados Unidos e está simplesmente a ser sincera ao assinalar as diferenças diplomáticas com Washington, afirmou o seu porta-voz, esta segunda-feira, ao comentar as ondas de choque do discurso de Merkel, no domingo.

A Europa deve reconhecer que deve construir o seu próprio futuro, sem esperar ajuda dos Estados Unidos, disse Merkel, sugerindo que os Estados Unidos, governados pelo Presidente Donald Trump, e o Reino Unido, em processo de saída da União Europeia, já não são parceiros fidedignos.

Estes comentários, feitos num comício de campanha eleitoral da CDU, o seu partido, surgiram após a primeira visita de Trump ao estrangeiro, e das cimeira do G7 e da NATO em que aquele optou pela atitude de confronto com os seus parceiros e aliados.

Trump não mencionou o Artigo 5.º ou o princípio da “defesa colectiva” de todos os aliados da NATO, e insistiu, de forma muito pouco amistosa, na necessidade de os aliados aumentarem a sua contribuição para o orçamento da aliança. E no G7, em Itália, o texto final da reunião foi muito mais curto do que o que estava na cabeça do primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni: o Presidente norte-americano recusou comprometer-se com o Acordo de Paris sobre a redução das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.

“Os últimos dias mostraram-nos que nem sempre podemos confiar nos nossos aliados e parceiros”, afirmou Angela Merkel, já nesta segunda-feira. "Foi correcto não deixar passar as diferenças que tínhamos com os EUA sobre as alterações climáticas", comentou ainda Merkel, citada pela Reuters.

“As palavras da chanceler valem por si próprias. Foram claras e compreensíveis, de alguém com profundas convicções transatlânticas”, declarou ainda o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert.