Zuckerberg trocou Harvard pelo Facebook porque se podia dar ao luxo de falhar

O fundador do Facebook deixou o curso de Harvard há 12 anos para se dedicar à rede social. “Se eu tivesse de sustentar a minha família quando estava a crescer, em vez de ter tempo para programar, não estaria aqui hoje.”

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Zuckerberg quer que todos tenham uma “rede de segurança” Reuters/BRIAN SNYDER
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Aos 33 anos, Zuckerberg foi a pessoa mais nova a fazer um discurso de abertura em Harvard LUSA/LISA HORNAK

Mark Zuckerberg já tem o canudo na mão: 12 anos depois de o fundador do Facebook ter deixado o curso de Harvard a meio para se dedicar a tempo inteiro à rede social, voltou à universidade para receber um diploma honorário.

Em palco, admitiu que parte do seu sucesso vem inegavelmente da sorte e do apoio familiar. “Há algo de muito errado com o nosso sistema se eu posso sair daqui e fazer milhares de milhões de dólares em dez anos, enquanto milhões de outros estudantes não conseguem pagar as propinas”, frisou Zuckerberg, no discurso de abertura da cerimónia dos finalistas de 2017.

“Se eu tivesse de sustentar a minha família quando estava a crescer, em vez de ter tempo para programar, e se eu não soubesse que ficaria bem se o Facebook não funcionasse, não estaria aqui hoje”, disse Zuckerberg, consciente de que nem todos têm a oportunidade. “Conheço muitas pessoas que não seguiram os seus sonhos porque não tinham uma rede que os apanhasse caso falhassem.” Por isso, sugeriu à plateia de diplomados que trabalhasse para a criação de um novo sistema em que todos os cidadãos têm uma “rede de segurança” que lhes permite apostar em ideias inovadoras sem medo de falhar.

“Pessoas como eu têm de ajudar a pagar [essa rede]”, acrescentou Zuckerberg. Afinal, muitas das tecnologias, incluindo algumas desenvolvidas pelo Facebook, têm o poder de mudar o mundo. Com 1,3 mil milhões de utilizadores diariamente, as publicações na rede social podem ter um grande alcance e o poder de influenciar a opinião pública. Nos últimos meses, tem sido palco de controvérsia a presença de notícias falsas e de conteúdos violentso e a incitar ao ódio. São problemas que a rede social está a tentar travar através da contratação de mais trabalhadores para rever o conteúdo do site.

“Temos o potencial de fazer muito mais em conjunto”, insistiu Zuckerberg, que terminou por apelar aos jovens finalistas para pensarem em projectos colectivos que permitam criar novos postos de trabalhos e promover a evolução da sociedade. Num mundo em que “dezenas de milhares de empregos” vão ser substituídos por máquinas, Zuckerberg sugere “pôr milhares de pessoas a criar e instalar painéis solares” para travar o aquecimento global, trabalhar para a democratização do voto online, a criação de um sistema de ensino mais personalizado, e a popularização e partilha de registos de saúde para facilitar a evolução do conhecimento médico. 

Aos 33 anos, Zuckerberg foi a pessoa mais nova a fazer um discurso de abertura na cerimónia dos finalistas em Harvard.