Cidadãos pedem classificação da casa onde nasceu Guilhermina Suggia, no Porto

Forum Cidadania Porto está a dar os primeiros passos e propõe classificação, pelo município, de outros três edifícios.

Casa onde viveu Guilhermina Suggia, na Rua da Alegria
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Casa onde viveu Guilhermina Suggia, na Rua da Alegria JOSE CARLOS COELHO / PUBLICO
Casa onde viveu Guilhermina Suggia, na Rua da Alegria
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Casa onde viveu Guilhermina Suggia, na Rua da Alegria JOSE CARLOS COELHO / PUBLICO

Um grupo de cidadãos propôs esta sexta-feira ao presidente da Câmara do Porto que seja dado início ao processo de classificação da casa onde viveu a violoncelista Guilhermina Suggia, da Garagem Passos Manuel, da Confeitaria Serrana e dos Armazéns Cunha. A carta, enviada ao autarca e à Direcção Regional de Cultura do Norte é um dos primeiros sinais de vida do Forum Cidadania Porto, um espelho nortenho do grupo que vem animando alguns debates em Lisboa.

“Somos a solicitar à Câmara Municipal do Porto, na pessoa de V. Exa., que desencadeie os procedimentos necessários à classificação de Interesse Municipal aos imóveis que abaixo se indicam, sendo que, entre eles, e a um mês exacto de mais um aniversário sobre o nascimento da ilustre violoncelista Guilhermina Suggia, nascida, como é do conhecimento de V. Exa., no Porto em 27 de Junho de 1885, é de sobremaneira justo, pensamos, que se verifique em primeiro lugar a classificação da casa do nº 665 Rua da Alegria, onde residiu entre 1927-1950, até à sua morte”, escrevem os subscritores da carta, Alexandre Gamelas, David Afonso, Francisco Queiroz, Nuno Quental, Virgílio Marques.

Alexandre Gamelas, arquitecto que vem lutando pela preservação dos pavilhões interiores do Mercado do Bolhão – iniciativa alvo de uma petição a que aderiram quase duas mil pessoas – explicou ao PÚBLICO que o fórum surgiu após uns primeiros contactos que fez com o fundador do movimento Forum Cidadania LX, Paulo Ferrero, pedindo o apoio deste na divulgação da causa. Ferrero explicou ao PÚBLICO que há mais de um ano que vinha germinando, no Porto, a ideia de um movimento semelhante ao da capital, e mostrou-se agradado pelo facto de a discussão sair do Facebook, onde já existia um grupo, para dar corpo a propostas concretas.

“Os cidadãos precisam de se envolver nos debates públicos”, clama Paulo Ferrero, que de entre os vários imóveis cuja classificação é agora proposta, no Porto, mostra o seu espanto por, exemplifica, um edifício como o da garagem Passos Manuel não estar classificado, dado o seu valor arquitectónico. Para o activista, o edifício déco-modernista, de 1930, da autoria do arq. Mário Abreu e situado na Rua de Passos Manuel “mete no bolso” a contemporânea garagem Liz, projecto de 1933 de Hermínio Barros e obra classificada pelo município de Lisboa.

Por outras razões, o grupo gostaria de ver defendida a Confeitaria Serrana, “uma pastelaria centenária na Rua do Loureiro, n.º 52, no local da Ourivesaria Cunha (1880-1914), profusamente decorada com motivos Arte Nova, com esculturas de Oliveira Ferreira e pinturas de Acácio Lino”, notam, e os Armazéns Cunhas, na Praça de Gomes Teixeira, nº 14, “um edifício déco-modernista, de 1933-36, praticamente genuíno e com projecto dos arquitectos Manuel Marques, Amoroso Lopes e Coelho Freitas”, descrevem.

Quanto ao destaque dado à casa do  nº 665 da Rua da Alegria, esta não será a primeira iniciativa cidadã propondo a classificação da casa onde viveu Guilhermina Suggia, que apesar de estar algo adulterada, no seu interior, mantém, para o grupo, importância. Contactado pelo PÚBLICO, o até há poucos dias vereador com o pelouro do Urbanismo, Manuel Correia Fernandes, diz que nunca lhe chegou um pedido de classificação, mas explicou que muitas das propostas passam por pelouros como o da Cultura ou do Ambiente, dependendo do valor que os proponentes pretendem ver defendido, e que pode ser urbanístico, paisagístico, simbólico ou memorial, entre outros.

Correia Fernandes assinala que e ”este é um momento apropriado” para se fazer estas propostas, porque o Plano Director Municipal está a ser revisto e, com ele, também a carta de património, à qual a câmara do Porto pode, assim o entendendo, acrescentar novos elementos. O autarca socialista, agora sem pelouros, após o rompimento entre o PS e o grupo de Rui Moreira, concorda, no geral, com esta proposta de um grupo cuja existência desconhecia, embora conheça alguns dos seus membros, disse ao PÚBLICO.

Na sua página de Facebook, o Forum Cidadania Porto define-se como "um espaço livre e aberto a todos que nele se queiram exprimir, individual ou colectivamente" e "um espaço de apoio e defesa de causas". Os seus membros pretendem "que o poder ouça e siga a opinião dos que habitam, trabalham ou visitam a cidade do Porto".